O Estado não é Deus

A relação interessante entre a ideia que temos de Deus e a que temos do Estado.

Se a gente prestar um pouco de atenção às organizações sociais humanas, vamos perceber que quase todas as sociedades criaram uma relação muito próxima com o Estado daquilo que sentem pela figura divina. Em países onde se reverencia Deus de forma mais madura, acaba-se desfrutando de uma relação mais madura entre os cidadãos e o Estado. Aqui no Brasil, onde se tem uma ideia paternalista da divindade, olha-se para o Estado como um cuidador, um solucionador geral de problemas e um infinito provedor.

Parece que isso é assim mesmo! A figura divina, como objeto da cultura humana, não tem como ser dissociada daquilo de mais próximo do divino que o homem criou: o Estado.

Eu, cristão, sou imerso numa cultura divina onde Deus é provedor e cuidador. Deus é pai. Para que eu não transfira exatamente as mesmas características da minha idealização divina para o ente estatal, precisei, com muita reflexão, amadurecer minha ideia sobre a divindade. Passei a perceber que a manifestação divina depende da atuação humana: Deus usa o homem como instrumento da sua obra!

Vixi, mas o Estado também não usa?!

Depois de muita reflexão, percebi que quanto mais maduro somos, menos pedimos à divindade e mais agradecemos a ela.

Puxa, mas não é exatamente assim na relação com o Estado?!

Vejam, não tem jeito… Dissociar o divino da ideia de Estado e da relação que temos com um e outro é uma tarefa interna complicada. E isso é tão visceral que muitas pessoas que trabalham para o Estado sentem-se superiores aos demais, como deuses. E outras se sentem tão comprometidas com o próximo, tão responsáveis pela sua atribuição funcional que a veem como uma missão. Será que a relação destes diferentes tipos de servidores com a divindade não é exatamente da mesma forma divergente?!

Volto ao início. Não tem jeito. Melhorar o Estado também é melhorar a relação das pessoas com a divindade, porque a maturidade mostra que seja o Estado, seja o Criador, precisam do homem como instrumento da sua manifestação para com o homem.

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