Políticas Públicas

Você fica observando uma barreira policial ser montada numa grande avenida. Radar, bafômetro, vários agentes. Passa um motorista sem cinto de segurança… nada. Passa outro falando ao celular… nada. O agente do radar flagra um veículo 20% acima da velocidade permitida… nada. Nem uma autuação. Você se encoraja a pegar o seu carro que está com os faróis queimados, passa pela barreira e é autuado. Qual a sensação que fica?

Você está numa churrascaria saboreando uma picanha mal passada, quando entra um grupo de ativistas vegetarianos militando contra a mortandade dos animais que são servidos aos humanos carnívoros, entoando palavras prudentes sobre a desnecessidade de sacrificarmos outros animais para nossa alimentação. Qual a sensação que fica?

Seu filho está na escola privada católica, que é a sua religião, quando recebe a visita de um grupo de monges budistas que foram ao local por determinação do governo para destituir os conceitos religiosos que você gostaria que seu filho adquirisse. Os monges passam a esclarecer que, em verdade, existe reencarnação e interdependência entre todos os seres da Terra. Qual a sensação que ficaria?

As políticas públicas brasileiras estão sendo praticadas de forma similar ao que apresento nos relatos fictícios acima. Escolhe-se o que é repreendido pelo Estado de acordo com objetivos políticos e ideológicos. Escolhe-se o que é defendido pela máquina estatal, desinteressando os valores que cada um deveria poder escolher para si e sua família, mas sim de acordo com os valores que o Estado entende devam ser reproduzidos pela massa.

Quando buscamos realmente a igualdade, o primeiro passo é não nos preocuparmos em discriminar. Por que aceitamos que, para curar discriminações, discriminemos!? Por que os valores de quem quer que seja devem ser impostos aos outros?!

Um Estado maduro exige que os serem humanos se tratem com respeito. Eu respeito seu culto, suas tradições, suas escolhas e você respeita as minhas. Eu e meus valores seremos parte de um grupo que se identifique e você e seus valores serão parte de outro. Cada um de nós frequentará os lugares que desejar para manifestar nossas crenças, valores e sentimentos e, quando estivermos em locais comuns, nos respeitaremos porque somos seres humanos, diferentes em escolhas mas iguais em importância e significado. Você não precisa acreditar no meu Deus, nem amar quem eu amo. Você não precisa se preocupar em me agradar e não precisa temer minha diferença.

Estamos a todo instante mudando a regra do jogo de acordo com interesses sazonais porque, por enquanto, estes interesses ainda não são beligerantes… mas, nesse andar, logo serão. Não é mais fácil o Estado garantir o direito à diferença dos diferentes? Não é mais maduro o Estado exigir o respeito e a liberdade de todos e não apenas de uns?

Um olhar atendo permitiria constatar que, se num estádio de futebol se propaga todo tipo de insulto, insultar é que deveria ser repreendido. Se numa igreja os valores pregados divergem dos meus, eu vou em outra. Há padronizações justas e padronizações injustas. O Estado deve padronizar sua atuação de forma a tratar todos com igualdade e de forma a permitir que as pessoas sejam respeitadas em suas diferenças. São as políticas públicas que definem a atuação do Estado nestas padronizações… você tem certeza que as padronizações hoje escolhidas são boas?

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