Empreender… Por quê?

Empreender é vocacional e demanda um gigantesco esforço, mas poucas coisas podem nos realizar mais na vida.

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Em quase todas as sociedades desenvolvidas incentiva-se o empreendedorismo. Em sociedades mais maduras, sabe-se que as pessoas com iniciativa e disposição para empreender são quem incitam o mercado a produzir (gerar riqueza), criar empregos (renda para o trabalhador) e pagar impostos (recursos estatais). Por causa disso, na maioria destes países o Estado e a iniciativa privada (bancos, especialmente, que também lucram com o desenvolvimento social) fomentam o empreendedorismo, seja com juros mais baratos para investimentos, seja com benefícios fiscais ou sociais.

Sabe por que é importante essa ajuda? Porque o empreendedor fica, muitas vezes, meses ou anos sem conseguir ganhar dinheiro. Por mais que isso pareca incrível a quem não tem qualquer conhecimento de causa sobre a vida empresarial, esta é a verdade.

Quando você abre uma empresa, que pode representar um sonho vocacional ou uma necessidade, você provavelmente terá cinco grupos que receberão alguma contra-prestação desde a abertura das portas, imediatamente: (1) os empregados, sem os quais o negócio tende a ser inoperante ou pequeno; (2) os fornecedores, indispensáveis para a existência do negócio; (3) os financiadores, sem os quais você, que não nasceu em berço de ouro, não terá como iniciar seu negócio; (4) os clientes, que precisam sair do seu estabelecimento com o que buscaram; (5) e o Estado, que mesmo sem qualquer incentivo e muito antes do lucro da sua empresa fica com boa parte do seu faturamento (sem contar a imensa carga tributária indireta). Veja que em nenhum destes grupos está a pessoa que deu impulso ao negócio: o empreendedor.

O empreendedor é o último a ganhar, mas desde o início: assume compromissos financeiros, treina pessoal, transfere conhecimento, resolve pendências operacionais e pessoais, lida com empregados, fornecedores, clientes, colaboradores, fiscais públicos, refinancia dívidas quando o negócio leva mais tempo do que esperava para decolar… em outras palavras, assume inteiramente o risco. Se a empresa der errado, seu patrimônio estará comprometido para fazer valer os direitos de todos os envolvidos. Se a empresa der certo, primeiro recuperará o investimento para, muito depois, lucrar. Portanto fica claro que ao empreendedor só resta uma saída.

Estes dias participei de um fórum onde informei que comumente o empreendedor levava anos trabalhando sem receber, apenas investindo esforço e dinheiro, e um dos participantes disse que eu estava lhe chamando de otário; que aquilo seria impossível. Imediatamente pensei: otário, pelo jeito, é quem empreende em nosso país, pois sequer este reconhecimento (de que há muito esforço no ato de empreender) se têm.

Então respondo à pergunta que proponho no título: devemos empreender porque é isso que move um país e é isso que se espera de quem é vocacionado a liderar esta importante iniciativa. Seria mais fácil se preparar para um grande cargo estatal? Não sei. Seria mais fácil lucrar comprando imóveis e alugando-os? Possivelmente. Seria mais fácil aplicar o valor investido num banco? Certamente. Mas empreender é algo que demanda um compromisso social e pessoal maior. Empreender é deixar de esperar que qualquer outro ente resolva determinada necessidade e partir para resolvê-la.

Costumo dizer às pessoas que trabalham comigo que poucas sensações são mais gratificantes do que a de estar em casa, à noite, jantando com sua família e saber que outras famílias naquele mesmo instante estão jantando graças à renda que você consegue transferir a elas. Ou quando você vê uma propaganda de certa entidade assistencial na TV e sabe que sua empresa, por pouco que seja, participa daquela ideia. Empreender é algo que realiza essa necessidade pessoal de que estamos participando das soluções que o mundo precisa.

Queria eu que nosso país ensinasse isso. E, talvez, nossos conterrâneos contemplassem uma outra forma de viver a vida em prol de todos e de si próprios diferente da via que é proposta pela ideologia governante, onde todos acabam, de uma forma ou de outra, dependendo sempre do Estado. E o Estado, bem sabemos, não nasceu para empreender.

Se você é daquelas pessoas idealistas que quer ajudar o mundo a ser melhor e está disposto a trabalhar muito, mas muito por isso, você tem a centelha inicial de um bom empreendedor. Agora só falta todo o resto.