Ideais

Uma sociedade vive de ideais. São os ideais comuns que unem as pessoas. Um casal que quer coisas diferentes da vida se separa. Amigos que buscam mundos diferentes se afastam. São nossos sonhos e nossas aspirações de vida, portanto, que nos fazem ficar juntos. Ou não.

Você tem alguma ideia de quais são os ideais brasileiros? Eu não tenho. Não faço a menor ideia da razão existencial da nossa nação. Vivemos por viver. Não somos assim tão fãs da liberdade quanto os norte-americanos, nem da organização quanto os japoneses, muito menos da pontualidade como os britânicos e suíços. Não somos lá muito religiosos, como achávamos e como são os indianos; se fôssemos não teríamos a violência que temos. Nem somos assim tão conservadores e preconceitusos… caso contrário não estaríamos há quatro mandatos sendo governados pela esquerda e por uma mulher.

Ou seja: além de não termos ideais muito claros, não temos muita consciência de quem somos.

Tem um ponto de partida para essa reflexão que acho interessante. É a nossa Constituição. Ela diz, no artigo terceiro, quais são nossos objetivos: I – construir uma sociedade livre, justa e democrática; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdade sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Parecem-me bons objetivos.

O caminho para atingirmos estes objetivos é distinto para cada uma das cabeças pensantes, mas, creio, podemos concordar que são objetivos nobres e, se atingidos, teremos um país diferente do que temos hoje.

Acontece que não nos basta termos objetivos claros. Precisamos de métodos de atuação para os atingirmos. Os métodos que elegemos nos últimos trinta anos melhoraram muito as nossas relações sociais, mas não melhoraram tanto quanto nossa exigência demanda. Muito menos quanto já percebemos que poderíamos ter melhorado.

Há uma saída que vejo claramente. Ela é avessa ao que a maioria de nós, brasileiros, costuma defender. É a diminuição das competências estatais e o fortalecimento da sociedade civil.

Por mais que pareça bom um Estado cheio de atribuições e com muito poder, não é. As pessoas que constituem o corpo estatal são as mesmas que constituem a malha social. Não há razão lógica (e prática) para acharmos que as pessoas que trabalham para o Estado vão resolver o que as que trabalham para iniciativa privada não resolvem. Na nossa realidade então isso costuma ser exatamente o contrário: a iniciativa privada faz melhor, mais rápido e mais barato que o Estado.

Então por que insistir nesse modelo estatizante? Por que já temos um corpo de servidores gigantesco e não sabemos o que fazer com eles? Isso não é motivo, com todo o respeito.

A sociedade civil criou o Estado. Está acima dele. Nas sociedades emergentes, como a nossa, o Estado funciona melhor quanto se limita a atribuições específicas que realmente seriam perigosas serem atribuídas a grupos privados. Segurança, educação e saúde são deveres mínimos de cada Estado no mundo… mas isso não significa que a sociedade civil não tenha de participar (e muito) destas atribuições.

Se pagamos caro demais por um produto e estamos insatisfeitos, mudamos o produto. Regra simples das relações privadas. Não temos essa alternativa nas relações estatais, mas podemos mudar a maneira de sermos enquanto país.

Você quer ajudar o Brasil a ser melhor? Deixe de se importar tanto com dinheiro. Ajude as pessoas quando puder. Estude e ajude os outros a se esclarecerem. Encontre uma atividade produtiva para desenvolver. Leia mais.

Pode comprar no mercadinho onde trabalha o pai, a mãe e os filhos? Faça isso. Mesmo que custe um pouco mais. Você estará distribuindo renda.

Pode ajudar diretamente uma família que mora na sua rua e passa por dificuldades? Faça isso. Não espere pelo zelo estatal.

Pode doar para instituições de caridade? Faça isso. Abata do Imposto de Renda.

Faça as coisas acontecerem sem precisar do Estado, que já está atarefado demais para fazer o que lhe compete.

Logo teremos claro quais são nossos objetivos efetivos e pelo que nos esforçamos e trabalhamos no dia a dia.

Assim se fortalece a sociedade civil. Assim se fortalece um país. Assim se muda o mundo.

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