A Ironia do Destino

Os chineses têm um ditado: cuidado com o que tu desejas. Eles acreditam (e eu também) que nossos desejos se tornam realidade. Claro que nem sempre de forma consciente, nem sempre no tempo o modo que queríamos.

O PT sempre foi o baluarte da ética. Defendia também, já no campo ideológico, a transmissão de renda e direitos às classes sociais menos favorecidas. Esses ideias me conquistaram há vinte anos atrás, quando me filiei ao partido. O tempo e a maturidade me mostraram que não somos o que dizemos, mas o que fazemos. E somos sempre o que desejamos.

Pois o PT conseguiu transferir direitos e renda às classes menos favorecidas. É um dos grandes feitos dos seus governos na União, como foi nos quatro mandatos consecutivos na Prefeitura de Porto Alegre. O seu desejo se tornou realidade. Não vou discutir aqui se a forma com que os programas sociais transferem renda é boa. Deixo para outra oportunidade a reflexão.

Digo mais: o PT conseguirá – e muito – participar da moralização da política brasileira. Claro que os problemas não serão totalmente resolvidos, pois ainda somos muito apegados aos nossos costumes, mas certamente não seremos mais como antes.

A ironia do destino é que o PT conseguirá participar da moralização da política e da governança brasileira com seu exemplo. O seu mau exemplo, para ser mais preciso.

O mensalão não contou com o instituto da delação premiada. O resultado é que todos os envolvidos pegaram penas relativamente graves. A lição deste episódio – aprendida por todos os corruptos e corruptores – foi de que, se forem pegos, é melhor participar ativamente das investigações com informações verídicas. Aquelas críticas ao novo modo de pensar do judiciário supremo elaboradas por juristas formalistas (interessados que tudo fosse como sempre foi) e por interesses políticos (idem) mostraram-se vazias. O novo pensamento jurídico funcionou.

Pois então, com base nesse passado recente, corruptos e corruptores resolveram confessar suas atividades criminosas para, quem sabe, receberem uma diminuição de pena no caso do petrolão. Graças ao instituto da delação premiada e às duras lições aprendidas no caso do mensalão.

Continuam os juristas formalistas (aqueles que gostariam que tudo continuasse como sempre foi) e os políticos (idem) a espernearem… mas a lição já foi aprendida. O desejo se tornou realidade. A ética está vencendo.

Desejar algo (pensar, dizer, viver aquilo) tem força sobrenatural, vejam todos. Cuidado com o que tu desejas.

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