Esquerda Estadista?

Quando a Revolução Francesa quebrou o absolutismo, em 1789, mudou o mundo. A ideia de criar-se um Estado em que a base governamental não fosse mais o monarca nem o senhor feudal, finalmente, começara a ruir. As ideias e os ideais de esquerda ganharam o gosto popular e, depois disso, nunca mais houve um país democrático em que o “ser de direita” fosse respeitado de igual forma ao “ser de esquerda”.

Depois disso, vieram muitos teóricos ortodoxos e inovadores, liberais e conservadores. Muitos. Tantos que se perdeu o mote original do que seria um ideal de esquerda. E isso deu ensejo a que o conceito se desfocasse do ideal, passando a servir de mero adjetivo, utilizado por conveniência.

Dois episódios históricos construíram o problema conceitual que temos hoje na definição de esquerda no Brasil. O primeiro foi o marxismo. O segundo a Guerra Fria. Com a vitória do marxismo na União Soviética em 1917, bradando ideais parecidos com os franceses de 1789, mas totalmente diferentes nas práticas institucionalizadas, iniciou-se uma flexibilização do conceito de esquerda que resultou na extinção dos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. O marxismo encontrou na Rússia um ambiente perfeito para a criação do estadismo dito de esquerda, que certamente gerou o contra-ponto ao estadismo de direita que vieram na Alemanha, Itália e outros países latinos, anos mais tarde. Eram todos governos institucionalmente similares, embora sua propaganda fosse diferente na parte ideológica. Pois daí surge o segundo episódio referido, a Guerra Fria, resultado do fim da Segunda Grande Guerra. Com o marxismo russo e o liberalismo norte-americano vitoriosos, a maneira em que o mundo se reorganizou dividiu-se entre comunismo e capitalismo, estadismo e liberalismo, esquerda e direita. Essa era a propaganda conceitual que nos foi empurrada abaixo no Brasil e da qual somos reféns até hoje.

Esquerda é liberal. Estadistas são os aristocratas, os monarcas, a direita. Esquerda não tende, ideologicamente falando, a defender estatizações. Esquerda não luta por desarmamento, por hiper-tributação, por elevação nas taxas de juros. Esquerda não defende ditaduras. Esquerda não controla tudo e todos. Isso quem fez foi o marxismo. Isso quem faz são as ditaduras de direta, presentes hoje no mundo árabe, por exemplo. E presente também na Venezuela, em Cuba, no Irã.

Aqui no Brasil a ignorância política está institucionalizada. Os partidos políticos de esquerda defendem pragmaticamente programas que nunca poderiam ser chamados de programas de esquerda. Não existem partidos políticos de direita no Brasil. Ser de direita é feio demais por aqui. O resultado é que todo o partido é de esquerda, inclusive estes que utilizam-se do estado para enriquecer os seus partidários, num atestado de incompetência pessoal descomunal, um atestado de avareza e de desprendimento ideológico gigantesco dos ideais que, um dia, foram de esquerda. Aqui a esquerda prega e vive um estadismo quase absolutista, onde o Estado é o grande regulador, o grande provedor e o Deus materializado. Não soa estranhamente parecido com o que pretendiam os franceses acabar?!

Portanto, amigo e amiga, saiba que PSDB não é de direita e PT, PCdoB, PSTU e PSOL não representam a esquerda que surgiu para lutar por liberdade, igualdade e fraternidade. Isso é mais uma das balelas que o Brasil criou para que eu e você não saibamos que estamos sendo roubados.

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