A geração que sabe, mas não faz

Se você tem mais de 40 anos já deve ter percebido que os jovens (até 25 anos) têm certeza que sabem muito mais que você. Sobre tudo. Sobre qualquer coisa.

Jovens sempre foram assim. É uma reclamação milenar, encontrada facilmente na filosofia grega antiga e em diversas referências medievais.

Tem uma diferença, contudo, que é facilmente identificada nesta geração: eles sabem mais, mas não fazem.

Até então, a humanidade fora marcada pela necessidade desbravadora do ser humano de resolver seus problemas sem muita noção de como fazer isso. Mas isso mudou.

Os jovens de hoje têm acesso a uma infinidade de informações, relações, aplicativos, redes, grupos e tudo o mais… e, em que pese alguns usem muito bem tudo isso, a maioria infelizmente é refém da iniciativa e da atitude dos mais experientes de uma forma quase infantil. Os jovens de hoje, me parece, nasceram para saber, não para fazer.

É uma geração tão protegida pelos pais, tão permeada de possibilidades e tão seduzida por ideais grandiosos que diante de qualquer evento novo alheio ao conjunto gigantesco de informações que já recebeu fica esperando que algum aplicativo ou o Google lhe responda o que fazer.

Conheço jovens intelectualmente brilhantes. Sabem filosofar em mais de um idioma, sabem responder perguntas profundas com boa profundidade… mas não conseguem separar o lixo seco do orgânico no dia a dia. Não sabem deixar os idosos entrar primeiro no elevador e não sabem que não se deve teclar no celular no trânsito, seja por respeito aos demais ou por segurança.

Há uma mentalidade dominante no sentido de que todos temos obrigação de fazer coisas grandiosas e, diante de tão colossal missão, fazer o trivial passou a ser algo totalmente desnecessário. Junte-se a isso um acirramento de questões políticas e divergências culturais e temos um radicalismo crescente, na religião, nas disputas de gênero, nas investidas profissionais. Como não estão acostumados a resolver os pequenos problemas do dia a dia, resolver grandes questões exige-lhes uma disciplina não trabalhada e a imaturidade desponta um autoritarismo e uma frieza que assusta.

A juventude que sonha em liberar a maconha é a mesma que mata por um tênis. A juventude que protesta contra o imperialismo é a mesma que se une ao humano-animalesco Estado Islâmico. A juventude, que sempre se caracterizou por ser um período de construção pessoal com base nas lições de seus ancestrais, agora tem seus valores construídos por qualquer informação que chegue via internet, por qualquer fonte, por qualquer interesse não dito.

Os árabes tem um ditado que diz: “não deixa que as grandes coisas sejam desculpas para não fazeres as pequenas”.

A importância das pequenas coisas ainda vai chegar. Com ela, deixaremos de querer salvar o mundo e nos preocuparemos em fazer bem todas as pequenas coisas da nossa vida, incluindo melhorar nosso bairro e ajudar nosso vizinho. Passaremos a gastar menos água, menos energia elétrica e menos tempo em bobagens. Espero que os jovens de hoje amadureçam o quanto antes e nos ajudem a salvar as próximas gerações das armadilhas que não soubemos desarmar para esta.

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