A culpa é do culpado

Muitos mestres já passaram pela Terra, buscando compartilhar com seus contemporâneos ideias sobre a vida que lhes trouxessem um pouco de paz e esperança frente às grandes adversidades do seu meio e do seu tempo. O passar dos séculos transformou as lições em disputas de ego e de vaidade. Culpa dos mestres e das religiões?!

Muitos casamentos sobreviveram, em outra época, porque isso era o que se esperava. A sociedade exigia que as pessoas permanecessem casadas sob quaisquer adversidades e isso fazia com que boa parte dos casamentos infelizes se tornasse um martírio para a mulher. Culpa do casamento?!

Muitas empresas exploraram empregados até a exaustão no século XIX e XX. A inexistência de regulação fazia com que os patrões inescrupulosos exigissem dos seus empregados muito além do que lhes pagavam a título de remuneração. Culpa do empreendedorismo ou do capitalismo?!

Com o advento da Justiça do Trabalho e da legislação trabalhista protecionista, muitos empregados sem moral foram indenizados por patrões que cumpriam pactuações havidas. Muitos empregados forçavam situações que eram e são, aos olhos da “justiça” do trabalho, ilegais, mas que jamais existiram no mundo fático. Culpa da “Justiça” do Trabalho?!

A busca de melhores condições sociais, seja no trabalho, seja na sociedade, seja mesmo na família, criou um sistema ideológico que luta há séculos por igualdade, por liberdade e por inclusão. Este sistema contrário ao establishment é interessante aos que não trabalham mas querem riqueza, aos que não produzem mas querem propriedades, aos que exploram os meios sociais mas não querem ser explorados pelo sistema econômico. Culpa da esquerda e dos idealistas!?

A culpa do escravagismo não é do branco, mas do escravocrata.

A culpa da agressão às mulheres não é dos homens, mas do agressor.

A culpa da exploração não é do empresário, mas do explorador.

A culpa do fanatismo não é da religião, mas do fanático e do ilusionista.

A culpa do paternalismo não é do judiciário, mas do folgado e do demagogo.

A culpa da infelicidade não é do casamento, mas dos infelizes.

Não podemos generalizar. Não podemos atacar todas as instituições porque muitas dão errado.

A humanidade é uma irmandade de acertos e erros, de tentativas e experimentos. Não temos manual disponível e, por mais que queiramos, nós mesmos ainda vamos errar conosco e com os nossos.

O que nos diferencia são nossos valores e o que fazemos em ralação a tudo e todos, não o que pregamos, não o que reclamamos, não o que dizemos. Querer acertar é um bom começo. Corrigir erros que sempre ocorrerão é uma boa postura. A perfeição que não existe no plano racional, existe no mundo ideal e no mundo das atitudes possíveis.

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