Uber x O resto do mundo

Quem se prestar a procurar informações sobre a Uber, vai descobrir que o aplicativo gera um turbilhão de polêmicas e problemas por onde passa. Veja que a Uber, criada em São Francisco em 2009 e hoje avaliada em US$ 41bi, está longe de ser um pequeno negócio ou um mero aplicativo. É um serviço global que veio para mudar profundamente o modal de transporte de passageiros. Há quem aposte que essa nova ideia irá reduzir inclusive o poder do automóvel no mundo, onde não mais se adquirirá um, mas sim se compartilharão vários. Só que, ao lado desse objetivo visionário e revolucionário, está uma empresa que não demonstra muita habilidade no trato com os representantes estatais por onde passa. Muito menos com os taxistas.

Aqui em Porto Alegre visivelmente as autoridades se sentem contrariadas pela postura dos representantes locais da Uber. E é compreensível. Antes de buscarem qualquer regularização do negócio iniciaram suas atividades, um dia antes da reunião agendada com os representantes da cidade. A reunião foi cancelada e a Câmara Municipal legislou pela ilegalidade dos serviços.

O serviço de transporte de passageiros é constitucionalmente regulado pelos municípios (art. 30, V ), devendo o legislador municipal elaborar as normas que limitarão a atuação do transportador. Aqui e em todos os municípios brasileiros só cumprindo a lei uma pessoa estará regularizada para transportar alguém por pagamento. Se o governo municipal não cumprir esta fiscalização, pode ser responsabilizado. E é assim porque a sociedade pede que seja. Imaginemos veículos escolares sem um sistema formal de controle! Seria o caos.

Na China, Itália, Espanha, no Kansas (EUA), Austrália e em quase todos os lugares em que opera (ou tenta), a Uber sempre foi recebida com muito barulho e até violência. Em várias cidades de primeiro mundo ele é proibido. Em quase todas, seus escritórios estão em locais sem placas e informações externas.

A ideia da Uber é excepcional. Excepcional! Mas o fato de você ter uma ideia excepcional não te autoriza a chegar nos lugares impondo sua ideia. É assim que penso.

Em lugares menos civilizados, como aqui em Porto Alegre, se estabelecer um cenário de guerra entre “legalizados” e “irregulares” pode ser algo realmente perigoso. E a Uber é sim responsável por isso, como são, do outro lado, os que agridem os seus motoristas.

Esse cenário de guerra que a criadora do aplicativo encontra no mundo demonstra que falta muita, mas muita, maturidade negocial. Falta bom senso, conhecimento jurídico, marketing de implantação e principalmente humildade. É quase como descobrir a energia nuclear e criar bombas que caem nas mãos de terroristas.

Desejo que a Uber se torne uma realidade no mundo. Que ela funcione e ajude a desenvolvermos um novo modal de transporte, mais acessível ao passageiro e ao transportador. E desejo, para que isso aconteça, que a Uber amadureça e perceba que suas práticas de implantação precisam do mesmo brilho que dispensou na sua criação.

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