Obrigado Mestre!

A época é de instabilidade política. A região está dominada por outro povo que, militarmente mais desenvolvido, dita as regras mas permite que a cultura local mantenha seus ritos. Das regiões, a menos respeitada, seja pela pobreza, seja pela maneira com que vivem, é a Galileia. Os galileus são vistos como homens rústicos, incultos, menores.

Pois não é que um galileu vai à Jerusalém se dizendo rabi! Imagina hoje um colono interiorano sem diploma chegar nas portas da Universidade Federal se dizendo Doutor… é mais ou menos isso. Era ridículo aos olhos dos rabinos.

Esse galileu de roupas simplórias ousava se autodenominar “doutor da lei” e a rebater parcialmente, em debates públicos, tudo que era repetido e pregado ao longo de três mil anos de judaísmo.

Numa época em que a palavra solidariedade praticamente não tinha exemplos, Jesus quis demonstrar que a maior lei da vida era o amor. Amor que vira perdão. Amor que ajuda o próximo. Amor que cuida. Amor pacífico e bondoso.

Leprosos, órfãos, adúlteras, cobradores de impostos… todos são filhos de Deus. E àqueles a quem os recursos e as condições de vida não chegavam, esses deveriam ser cuidados pelos demais.

Nos relatos mediúnicos sobre a presença do Mestre, comum a emoção dos que simplesmente lhe cruzavam o olhar. Nas narrativas históricas jamais uma palavra de desabono. Mesmo ante ateus e incrédulos, o personagem Jesus Cristo é respeitado pelo que ousou propor numa época dura. Saramago bem escreveu sobre isso. E isso mudou o mundo. E foi usado – como tudo que é poderoso – a todo tipo de interesse.

Das coisas ditas no evangelho uma em especial me toca: somos todos filhos de Deus. Ora, o filho de peixe é peixe. O filho de águia é águia. O filho de leão é leão. É evidente a ideia pretendida e sua repercussão ainda sequer é considerada.

Ainda desconsideramos a interdependência que temos como irmãos. A necessidade de nos ajudarmos reciprocamente para que nós mesmos sejamos beneficiados com os efeitos da felicidade e do bem estar alheio.

Ainda subvertemos o significado de amar, nos limitando a interpretações sexuadas e restritas a pequenos círculos pessoais daquilo que poderia transformar a humanidade definitivamente.

Ainda duvidamos da presença divina, como se a vida pudesse ter objetivo e significado aleatório e fôssemos todos meras amebas ou pó interplanetário esperando algo qualquer.

Mestre, me espelho nos teus exemplos, reconhecendo que fujo costumeiramente do teu caminho. Se somos o que desejamos ser, sou cristão. Obrigado pelas constantes lições, através dos meios possíveis. Obrigado por sentir, ainda que eventualmente, a presença luminosa dos teus excelsos auxiliares a guiar nos momentos turbulentos que sempre passamos. Obrigado por cuidar de todos. Obrigado por nos alimentar de esperança mesmo frente às nossas mais terríveis mazelas comportamentais. Obrigado por permitir sermos o que desejamos, mesmo querendo ser nem sempre o melhor que poderíamos.

Muito obrigado, Mestre!

 

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O preço das coisas

Quase todos nós, quando temos de optar entre dois produtos iguais, compramos o mais barato, certo!?

Por que pagar mais por um produto da loja do shopping se lá no centro é mais barato?

Por que pagar mais no mercado da nossa rua se lá no Walmart é mais barato?

Por que pagar mais na loja física se pela internet é mais barato?

As respostas a estas perguntas podem vir em vários tons. A do shopping, por exemplo. Shopping não é minha praia. Eu dificilmente pagaria mais por algo que está à venda lá. Mas o shopping paga por segurança, ar condicionado, iluminação e uma penca de coisas evidentes que oferece. É impossível oferecer tudo aquilo sem repassar ao preço, e isso parece bastante justo. Pagar por conforto é bom para quem pode.

Agora olha além destes itens “materiais” que listei. O shopping tá cheio de gente trabalhando lá… é um lugar que emprega muitas pessoas, com perfis pessoais e sociais absolutamente distintos. O cara da segurança, a moça da loja de cintos, o técnico em informática, o prestador de consultoria empresarial. É realmente muita gente. Se você olhar sob o aspecto social envolvido, o shopping tem um importante valor até naquilo que podemos chamar de distribuição de renda, pois a sua face capitalista emprega, paga imposto e gera riqueza.

E o mercadinho do bairro?! Você acha que aquele microempreendedor tem alguma chance de lhe oferecer um produto por menos preço que a grande rede?! É impossível. Só se ele encontrar um produto similar, produzido por uma pequena empresa. Mas aí você vai desconfiar da marca, não vai?

Então saiba que pagar mais pelo litro do leite no mercadinho do bairro significa valorizar o esforço daquele cara ali. E pagar menos pelo mesmo produto na grande rede é oferecer centenas de vagas de emprego e sustentar a riqueza já estabelecida. São opções legítimas que, no meu caso, não me geram qualquer dúvida. Adoro mercados menores, menos cheios, com atendimento mais pessoal. Se o mercado do bairro me oferecer algo que posso pagar um pouco a mais mas junto vier um bom atendimento, opto tranquilamente pelo mercadinho.

O preço que pagamos tem a ver com incontáveis itens. Vamos sempre encontrar um dentista, uma psicóloga, uma escola, um sanduíche mais baratos aqui ou lá. Olhemos com os olhos de quem enxerga além do primeiro contato físico, além do mero produto. Pagar significa apenas gastar pra uns, mas pode significar investir num mundo melhor se fizermos isso usando toda a nossa capacidade analítica e depositarmos um tanto de bondade e investimento pessoal.

Na minha visão de mundo, gostaria que os pequenos se multiplicassem. Eles representam esforços pessoais que admiro e, ao mesmo tempo, servem de exemplo e estímulo a outros pequenos. Em termos de números, o pequeno empreendedor e a pequena empresa são tão importantes ao país que justificam só por isso investirmos mais da nossa atenção, tempo e até do nosso dinheiro. Cidades como Caxias do Sul, Santa Maria e até mesmo a capital paulista nasceram dessa dinâmica viva de trabalhar no que é seu e oferecer algo diferente e bom ao cliente e à sociedade.

Lembra sempre que empresas são conjunções de esforços. Escolha as que oferecem o algo mais com que você se identifica. Pague por isso.

Recomeçar

Goethe sentenciou que preferia a injustiça à insegurança e isso se tornou um mantra de repúdio por boa parte das cabeças libertárias. Quando disse isso, o filósofo alemão estava justificando que entre eventuais atitudes injustas causadas pelo erro de atuação da autoridade estatal e a ausência desta atuação – que gerava insegurança seja pela omissão, seja por não se saber o que poderia ou não poderia ser feito diante do Estado e da sociedade – preferia a primeira hipótese, pois ao menos a ideia de injustiça exara o sentido de que se sabe o certo e o errado, enquanto a insegurança é justamente o desatino destes sentidos.

Uma sociedade permeada de direitos impraticáveis é melhor que uma sociedade com direitos mínimos mas respeitados?!

Uma sociedade que, nos seus indivíduos, se permite a prática do que é moralmente condenável tem legitimidade de exigir do Estado que lhes preste a devida segurança?!

Um Estado que privilegia seus integrantes e exige do conjunto privado o que não exige dos seus é capaz de promover a alardeada “justiça social”?!

O cenário atual só poderia ser mais agravado em termos de insegurança social se estivéssemos em guerra. Com mais de 110.000 mortes violentas por ano, o Brasil supera qualquer país do mundo em números proporcionais ou absolutos de mortes, salvo os em conflito bélico.

E isso muda algo?! Mesmo que seja uma mudança errada, daquelas que demonstram que ao menos se tem atitude frente ao que acontece… algo muda?! Digo que sim. A lei. A lei no Brasil muda corriqueiramente. É o positivismo pregado por Goethe aplicado subversivamente pelo nosso jeitinho. No Brasil, toda vez que a autoridade governamental não sabe como resolver algo ela muda a lei. E aí, ao menos oficialmente, tudo está resolvido. A culpa, se der errado, é dos que não a cumprem.

Acontece que nosso problema é justamente esse! O Brasil é formado por uma exército de pessoas que acham que podem fazer o que querem e não haverá consequências. Acham que a velocidade excessiva não mata. Acham que o aumento de adicionais e subsídios é mais importante que o repasse de valores aos hospitais. Acham que o ar condicionado no gabinete é mais útil que na escola. Acham que o lixo no bueiro não dá nada. Acham que comprar contrabando, pagar por TV clandestina e colocar rádio roubado no carro é bobagem.

Existe uma sociedade hipócrita sim no Brasil, mas não apenas com relação ao racismo, às diferenças de gênero e aos casos de abuso noticiados. Nossa hipocrisia é achar que podemos agir mal e viver bem, é olhar pela janela de binóculo e no espelho de revesgueio.

O mundo civilizado está percebendo, com os ataques terroristas, que não há Estado capaz de impedir a má atuação humana. O que nos protege de nós outros são nossas atitudes. O que assegura que meu vizinho não me fará mal é o meu relacionamento com ele, a minha e a sua posturas. O máximo que o Estado pode fazer é punir aquele que já ultrapassou a barreira da legalidade.

Pois bem, no Brasil ainda esperamos que os outros resolvam nossas paradas… seja a polícia, seja o governo, seja o Judiciário, seja o Badanha. Tem meia dúzia de sem vergonhas que fazem o que querem, servem de mau exemplo aos incautos e o resto assiste omisso.

Que 2016 marque um recomeço individual em nossas vidas onde deixemos de esperar que o externo faça algo por nós e passemos nós a fazer algo pelos demais.

 

 

Como o beneficiário busca o seguro de vida?

Os seguros de vida permitem que o segurado escolha as pessoas que serão beneficiadas com a indenização securitária no caso da sua passagem. Estes beneficiários podem buscar diretamente a sua indenização, apenas cumprindo algumas das orientações:

1. PRAZO DE UM ANO: a partir do falecimento do segurado, o beneficiário tem um ano para entrar com o pedido. Este prazo prescricional está previsto no Código Civil.

2. DOCUMENTOS: os documentos mínimos necessários são a Certidão de Óbito do segurado, a certidão de nascimento do Beneficiário, CPF e RG do beneficiário e informações bancárias. Com estes documentos já é possível a abertura do processo administrativo. Outros documentos serão solicitados, de acordo com cada seguradora e com o tipo de sinistro ocorrido.

3. ONDE SOLICITAR? Cada seguradora tem uma Central de Atendimento telefônico que orientará o local mais próximo para a entrega dos documentos. O beneficiário poderá pedir informações também ao Corretor de Seguros ou ao Estipulante, que servem de intermediários na relação com a seguradora. Estes dados estão presentes na Apólice (seguro individual) ou no Certificado de Seguro (seguro em grupo).

4. INVENTÁRIO e DÍVIDAS DO SEGURADO: o seguro de vida não entra em inventário nem pode ser penhorado para pagamento das dívidas do segurado. São os beneficiários que devem receber a indenização, sem qualquer abatimento. Caso não tenham sido escolhidos beneficiários, a indenização será paga aos herdeiros.

5. PRAZO DA SEGURADORA: após o recebimento de todos os documentos, a seguradora tem 30 dias para pagar a indenização. Se demorar mais, deverá pagar com juros e correção monetária.

6. AUXILIO FUNERAL: é uma modalidade de seguro de vida que indeniza as despesas com o funeral. Segue a mesma orientação acima.

7. ASSISTÊNCIA FUNERAL: não é um seguro, mas um serviço que realiza os atos fúnebres do segurado. Normalmente não indeniza as despesas já realizadas, por isso deve ser acionada logo que ocorre o óbito.

Sempre que tiver problemas no recebimento, o segurado poderá buscar informações junto à SUSEP (www.susep.gov.br) que é o órgão responsável pela fiscalização dos seguros privados ou contatar o advogado da sua confiança.

 

Alimentos (Pensão Alimentícia)

No Brasil, somos tocados por uma visão socializada da prestação alimentar que dá origem aos valores que compõe o nosso Princípio da Solidariedade Familiar. Nosso sistema considera possível que parentes peçam entre si os valores necessários a sua sobrevivência, podendo este pedido se estender além das relações paternais e conjugais. A grande diferença, contudo, entre o pedido de alimentos que se faria a um genitor e a um tio, por exemplo, é que contra genitores (ou responsáveis diretos pelo alimentado) o valor dos alimentos deve compreender o conjunto de necessidades do alimentado, incluindo-se o lazer, a educação, a saúde, o vestuário e tudo mais, que lhe permita viver de modo compatível com sua condição social, respeitadas as possibilidade dos alimentante. Já contra parentes mais distantes (tios, avós) o pedido se limita ao necessário à sobrevivência, desde que os genitores não tenham condição de supri-la. É uma obrigação subsidiária do Princípio da Solidariedade Familiar.

A questão mais debatida contudo sobre alimentos diz respeito ao valor que deve ser estabelecido. A lei apenas dita de forma genérica que a fixação dos alimentos deve respeitar o binômio necessidade do alimentado e possibilidade do alimentante (art. 1.694, § 1º, Código Civil). De forma genérica, ainda, construiu-se a ideia de que os alimentos devem ficar próximos a 30% dos vencimentos do alimentante, o que de forma alguma pode ser generalizado por que é certo que um provedor rico, que ganha R$ 100.000 mensais, não precisará pagar R$ 30.000 ao filho para que viva bem, da mesma forma que uma pessoa simples que aufere apenas R$ 900,00 não poderá se contentar em pagar R$ 270 mensais para sustentar três crianças. Estamos aqui falando dos alimentos entre filhos e genitores.

Para aferição adequada dos alimentos se faz duas verificações:

Primeira – a visualização dos valores percebidos por quem vai prestar alimentos, considerando não apenas a sua renda, mas sua condição de vida. Embora os alimentos sejam fixados com base na renda, é óbvio que se um prestador de alimentos possuir vasto patrimônio e renda miserável, deverão serem tomadas medidas de inspeção da sua condição de vida para avaliar a real condição do mesmo. Da mesma forma, um profissional liberal que aufere bons rendimentos, mas tem gasto fixo considerável (com funcionários, aluguel, estrutura operacional) não poderá ter apenas a sua renda avaliada, devendo-se retirar da mesma aquilo que gasta para auferi-la. Infelizmente não é modal no nosso Judiciário esta verificação, devendo ser bravamente insistida pelos advogados que trabalham neste tipo de caso.

Segunda – arrecada-se todo o necessário para sobrevivência do alimentado. Aluguel, escola, plano de saúde, cursos, etc. Somada a despesa mensal, divide-se por dois e se avalia se ambos os genitores têm condições similares de cumpri-la. Não havendo – porque as rendas são distintas, e normalmente o são – deve-se exigir que o melhor remunerado mais colabore, respeitando sempre o limite imposto pela lei.

A distorção mais comuns do sistema é se pagar menos do que o filho efetivamente precisa, contudo são bastante comuns os casos em que o provedor se sacrifica para cumprir a pensão.

Também por isso a guarda compartilhada é importante, porque ajuda a ambos genitores conhecer e participar das decisões que levarão aos gastos de criação dos filhos. O provedor dos alimentos sabendo o que a escola A custa, pode escolher a B porque mais compatível com sua disponibilidade.

Ilusão é deixarmos a cargo do Estado resolver questões familiares. O Estado participa sim da efetivação de direitos e imposição de limites mínimos entre as partes, mas cabe a cada um dos envolvidos o máximo esforço em construir uma relação madura e sustentável com sua prole e seus genitores.

As relações familiares são marcadas pelo esforço continuo de equilibrarmos as nossas necessidades e possibilidades. Não apenas nos assuntos que tocam o aspecto financeiro, mas também na gestão do tempo para dar atenção e trabalhar, para cuidar da saúde e do lazer. Quanto mais exercitarmos nossa capacidade de equilíbrio entre possibilidades contrárias, melhor lidaremos inclusive com as adversidades que decorrem de uma separação.