E daqui a 300 anos?

A história humana é uma história de lutas, violência, imposição de força, tramoias, desrespeito. E uma história de conquistas, de aperfeiçoamento, de elaboração de valores, de soluções.

Imaginemos pretender denegrir a imagem do Rei Davi entre os judeus, porque fora violento e sanguinário. Ou de Maomé, por ser insurgente e guerreiro. Imagine criticar Jesus de machista porque seus discípulos próximos eram todos homens. Ou chamar Buda de fanático porque, ao invés de transferir a riqueza da sua família aos pobres, escolheu “iluminá-los”.

Imagine condenar seus avós por serem patriarcais. Condenar seus pais porque brincaram com as diferenças de gênero. Imagine condenar as pessoas que têm dificuldade de se adaptar aos novos tempos e aos novos ventos com o mesmo rigor que se combatiam os novos tempos e novos ventos no passado.

Não pense você que, um dia, não olharão para nosso tempo e nos acharão bárbaros. Criar animais – seres que sentem e sofrem – para sacrificá-los e devorá-los. Trabalhar por dinheiro e não por vocação, não por aptidão. Comprar bens que podem ser compartilhados. Desperdiçar água. Estudar para saber sem saber para que.

Esses que usam o passado para tudo condenar, elegendo vítimas e agressores genericamente demonstram saber muito pouco sobre evolução. E analisam a história com pequenez.

Ser intolerante com quem ainda não consegue se desprender de valores ultrapassados é tão odioso quanto ser discriminatório. A tolerância é uma via de mão dupla, caso contrário não pode ser o mote da mudança.

O puritanismo que se exige raramente é o que se entrega. A maturidade individual costuma ensinar que os mais maduros e adaptados à vida já erraram muito. E aprenderam com isso. A tolerar. A ajudar. A seguir adiante.

Nessa época de intransigência política porque uns discutem ideologias e outros pregam valores, Oxalá consigamos extrair o que de melhor nossa humanidade produziu. Se fosse fácil já estaria resolvido. Quis o destino que nós todos estivéssemos diante destes enfrentamentos, mas a solução não virá de outro resultado que não for do nosso esforço construtivo.

Sou dos que usa a moral como referência. A moral, não o moralismo (se tiver interesse, pesquise a diferença). A razão e a sensibilidade humana precisam de referências construtivas, se não tudo é discussão, tudo é paixão.

Daqui a 300 anos certamente haverão valores morais outros… mas tenho esperança que os irmãos do futuro, ao contrário dos de hoje, saberão reconhecer que, embora não estejamos prontos, estivemos nos esforçando para fazer o melhor.

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