Uma nova cultura

Taylor, antropólogo britânico, ensinou que cultura é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto, a cultura é resultado humano que forma novos humanos. Por sua vez, os novos humanos influenciados pela cultura recebida poderão influenciar a cultura… e assim caminha a humanidade.

É como o ar: mesmo que não a conscientizemos ela nos permeia. Estamos inseridos nela e somos constantemente influenciados por ela. Ainda que apresentemos resistência à cultura, será uma resistência cultural de alguma forma. As disputas de ideias são disputas de influência cultural e de influência na cultura.

Você reconhece uma cultura tipicamente brasileira quanto ao comportamento social? Com suas experiências, você elencaria quais elementos como integrantes da cultura nacional no aspecto comportamental?

Quando acreditamos que estacionar no local proibido por alguns minutos não é problema…

Quando realizamos protestos em vias públicas que prejudicam o deslocamento (e os compromissos inadiáveis e irrecuperáveis) de milhares de pessoas…

Quando contratamos um serviço e não pagamos…

Quando usamos milhares de argumentos para justificar um erro confesso, ao invés de pedir desculpas e reparar os danos…

Quando queremos mudar o mundo para que caiba dentro dos nossos desejos pessoais…

Que tipo de cultura é essa?

O Brasil não gosta de cultuar boas lideranças. Gostamos dos demagogos, dos atalhadores, dos que resumem o mundo para que fique simples no papel. Estamos rodeados de boas pessoas, mas gastamos tempo e esforço criticando as que não prestam. Tivemos incontáveis líderes que produziram obras magníficas, mas procuramos os que superarão Cristo em influência, porque as pequenas realizações positivas não nos captam mais atenção do que as grandes bobagens.

Veja nosso debate político… é ridículo. Criam-se apelidos para denegrir porque evidentemente fica difícil ofender e depreciar uma pessoa que é visivelmente capaz, séria e producente.

Veja nosso comportamento esportivo, onde ludibriar a autoridade é considerado normal e onde a imposição do nosso talento se dá mais por exibição que pelo resultado. Afinal, meritocracia (vencer, atingir objetivos) é o menos importante, não é?!

Veja nosso comportamento nas relações jurídicas e pessoais. Nossa produtividade. Nossos serviços públicos.

Isso tudo é cultura.É tudo resultado de uma proposta de vida falida, mas da qual não nos cansamos de tentar e tentar manter.

Como crianças morais e comportamentais que somos, queremos tudo. Queremos que o novo seja imposto sobre o velho. Queremos drogas sem crime. Queremos democracia com representações exclusivamente nossas. Queremos dinheiro para tudo sem a obrigação de trabalhar proporcionalmente. Queremos isso e aquilo e aquilo lá também.

Admiro culturas de respeito ao passado, como fazem os orientais. Admiro cultura de respeito às lideranças, como fazem os norte-americanos. Admiro a cultura de respeito às diferenças que se vê na Europa. Admiro o esforço e a simplicidade do nosso povo brasileiro. Admiro a religiosidade e a vida familiar dos latino-americanos. Admiro a alegria frente à adversidade dos africanos. Admiro a capacidade de se inovar e receber o diferente dos australianos. Aprendermos o que admirar, quem sabe, faça parte de uma nova cultura… uma que viva de algo além de reclamar, protestar, denegrir e querer mudar o mundo com o esforço dos outros.

 

 

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