Vencer!

Veni, vidi, vici… parece fácil, para quem apenas lê, a conquista de Júlio César. Algo como “cheguei, gostei e peguei”. Vencer é o objetivo humano mais remoto, depois de sobreviver. Quiçá sobreviver seja vencer a morte, ao menos por hoje.

O que é vencer? Derrotar, ganhar, obter vitória diz o léxico. Vencer é, portanto, atingir um objetivo. Quando pensamos em vencer pensamos em que? Esporte? Conquistas profissionais? Superar um trauma, uma doença? Receber um dinheiro decorrente de um negócio?

Vencer é o resultado do mérito. O mérito decorre de uma conotação social (ou relacional) e de uma conotação íntima. As duas conotações formam o valor do mérito.

Nos dias de hoje, associa-se a ideia de vencer ao liberalismo capitalista porque, afinal, neste regime o desejo de conquistar é inerente. Se não houver desejo de conquista não haverá o capitalismo. Tal associação criou uma dissociação: a de que a busca pelo mérito, pela vitória, cria desigualdades. É um ledo engano, fomentado e multiplicado por conveniência.

O ser humano que não tem objetivos existenciais não está existindo. O ser humano mais desprovido de condição, de saúde, de meios, sempre estará buscando algo, nem que seja viver (ou sobreviver). É da natureza humana atingir objetivos. Quando se prega a ausência do mérito se está lutando contra a condição humana. É irracional, insensível, até malévolo.

Vencer não é superar o outro apenas. É ser melhor que você mesmo. E se for superar o outro, que seja. Perder faz parte da próxima vitória, eis que nenhuma vitória é perene. E se nenhuma vitória persiste, toda vitória faz parte da próxima derrota. Cabe ao ser humano aprender a vencer e perder, neste eterno ciclo… mas jamais negar ou afrontar a necessidade de buscar seus objetivos e aprender quando não os consegue.

Por que perdemos nosso tempo discutindo mérito no sentido ideológico? Porque se imaginou um mundo impossível brotado de um bem original, de um ser humano ideal que nasce pronto e não transpassa a estrada evolutiva, um ser que não se materializa jamais. Esse mundo impossível prega a mudança do que há pelo que deveria ser, mas exige que esse objetivo se cumpra através de regras impraticáveis, regras que não são praticadas sequer por quem as defende. Como fazer um profissional ser eficiente e eficaz sem o risco de perder o emprego em caso de fracasso? Como dizer que um aluno está pronto sem avaliá-lo? Como não bonificar um êxito se é o êxito que todos precisamos? Como distribuir a riqueza alheia sem distribuir as obrigações que geraram tal riqueza?

A vida sem méritos é a contemplação dos méritos alheios.

A vida em sociedades que se perdem em debates impraticáveis é a contemplação da vida nas sociedades alheias.

Vencer é necessário. Aprender a perder é necessário. Ajudar os outros a vencer é necessário. Ajudar os outros quando perdem é necessário. Viver vencendo e perdendo é viver.

No fundo a vida é mais simples do que tentamos fazê-la e vencer pode ser, simplesmente, atingir um melhor viver.

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