Segurança x Balela

A desigualdade social diminuiu. A população civil foi desarmada. O uso de entorpecentes foi flexibilizado. A educação superior chegou a todas as classes sociais. O trânsito se tornou mais rigoroso. E nada disso jamais participou de qualquer redução nos índices de criminalidade. Por quê?

Seria porque desgualdade social, ao contrário do que se pregava, não é justificativa para a falta de transferência e de exigência de valores?

Seria porque o desarmamento só atingiu quem respeita a lei e serviu para aumentar a sensação de poder dos que vivem de impor medo à cidadania?

Seria porque a educação superior desprovida de qualidade e sem o devido vínculo vocacional serve apenas para vender diplomas e criar mão-de-obra barata?

Seria porque, no trânsito, regras rigorosas sem fiscalização e punição servem, quando muito, para capitalizar cofres públicos?

Nós brasileiros costumamos responsabilizar os políticos pelas nossas mazelas, muitas efetivamente resultantes da sua incompetência. Mas quando se fala de segurança pública, o caminho é bem mais longo e complexo.

Para existir um criminoso falhou, primeiro, a família. Depois dela a escola. Depois ainda a inserção no mercado de trabalho, que é ditada pela política econômica. Falhou também os modelos assistencialistas da sociedade civil, sejam religiosos, sejam culturais. Depois falhou o policiamento ostensivo e a inteligência policial. Falhou o sistema judicial. Falhou o sistema prisional. É complexo, dinâmico, temporal. Por isso, precisamos de regras e valores claros e definidos, fáceis de serem compreendidos e representados pela cultura social.

Quando a polícia age com rigor e, até, com violência contra deliquentes precisa ser apoiada. Critiquem-na quando ultrapassar os limites com inocentes. Assim estaremos dizendo de forma simbólica e direta a todos os delinquentes que esse é o resultado socialmente aceito. Quando o judiciário receber um delinquente trate-o como tal, não como um potencial injustiçado social e processual. 

As teses, deixem-nas com os advogados, com os filósofos, com os sociológos.  Quem tem de agir deve fazê-lo.

Nossa crise de segurança pública no Rio Grande do Sul é tão grande que vejo pessoas que viveram a vida sustentando o mundo do crime com compras e aquisições ilegais refletindo finalmente sobre sua conduta. Só há o caos quando a sociedade, como um todo, se permite sucumbir.

Sucumbimos à balela marxista. Sucumbimos à idiotia garantista. Nos curvamos a teorias que nunca deram certo em parte alguma do mundo sobre educação, economia, sociedade, valores. Estamos quebrados enquanto Estado e enquanto sociedade porque investimos no que não pode nos dar retorno e o que pode – a atividade produtiva, a educação vocacionada,  o serviço público com metas – é tratado como lixo, idiotia, pelos lixos idiotas que cagam sua ideologia pela boca.

Não há mais o que ser dito. Passou da hora de cada um fazer a sua parte para acabar com o predomínio dos criminosos sobre a sociedade. Faça o máximo que puder, não se renda, não se acomode… porque a água já bateu no queixo.

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