Por que greve?!

Imagina que você está numa relação amorosa onde deposita todos os seus melhores sentimentos e atitudes em prol do outro(a), mas não recebe o mesmo… passam-se meses, anos e você ali, com a mesma atenção e zelo, o mesmo carinho… vai acabar isso, não vai?!

Agora imagina que, para manter-se na relação e pedir valorização, você comece a fazer birra, dizer que não vai mais dar beijo nem carinho, depois não vai mais conversar, até dizer que vai se matar se o relacionamento acabar. Tem alguma chance disso se tornar uma relação boa pros dois lados?!

Pensa que você ama demais essa pessoa, mas um dia você percebe que o relacionamento de vocês não tem chance de fazê-los felizes, porque vocês querem coisas distintas, são diferentes demais nos seus propósitos, modo de ser, nas expectativas. É triste, mas com bastante reflexão e maturidade resolvem se separar e tentar um novo relacionamento quando a vida assim permitir…

A relação entre empregador e empregado não é diferente.

Patrão e empregado querem o mesmo (ou deveriam): que a empresa cresça, que tenha clientes, que ganhe muito dinheiro, que prospere e dê uma vida confortável e justa aos seus colaboradores e atenda adequadamente seus clientes. Quando um dos dos lados não está sendo respeitado pelo outro algo está errado. Talvez aquele não seja o melhor patrão para você. Talvez aquele não seja o melhor colega para atingir seus objetivos pessoais e profissionais. Talvez você esteja precisando de mais coragem para ir adiante, buscar quem lhe respeita, quem vai valorizar toda a capacidade profissional e os valores que você tem.

Claro que, eventualmente, não haverá outra saída a uma demanda profissional que não seja a reivindicação através de greve. Mas não tem outra forma de fazer isso?! Penso rápido em outras formas de reivindicar melhorias salariais e outras demandas:

(1) reduzir a jornada em 2h diárias e, depois do expediente, ir protestar em frente à sede do empregador;

(2) apresentar um projeto de aumento de produção vinculado ao aumento de rendimentos aos empregados;

(3) fazer uma operação padrão mostrando que, se mudasse X ou Y na atividade, se ganharia tempo/produtividade/eficácia;

(4) fazer uma campanha com os clientes para que entrassem em contato com o empregador através da plataforma Z e dissessem se acham válido a demanda por A ou B direitos.

Greve é um instrumento do Século XIX, quando não haviam sequer direitos trabalhistas, quando a polícia matava quem se negava a trabalhar 14h por dia. Greve é um desrespeito ao direito de um sem fim de pessoas que precisam dos serviços paralisados. E afeta eminentemente a população mais pobre, pois evidentemente os mais abonados e afortunados têm meios de resolver seus problemas de outras formas.

Greve é, nos dias atuais, uma forma de terrorismo light. Se explode o direito dos outros para pleitear o que se acha correto para si. E se espera apoio?!

Nós precisamos adequar nossa mentalidade ao Século XXI não apenas quanto às relações amorosas, quanto ao respeito à natureza, quanto às demandas sociais… passou da hora.

 

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