Crise de Segurança

Quando morei em minha última casa, em Viamão, costumeiramente era acordado com algazarras na esquina feitas por uma gurizada que se reunia ali para fumar maconha e brincar. Era gente dos 15 aos 40 anos. No início, como eu conhecia de vista a maioria deles, eu pedia que eles saíssem dali para que pudéssemos dormir e para que parasse o cheiro de maconha dentro do quarto dos meus filhos e eles atendiam prontamente, até me pediam desculpas. Mas passou o tempo, o grupo foi aumentando, foram chegando adultos e a coisa foi saindo do controle.

Um dia estacionaram dois caminhões guincho, desses que trabalham para o DETRAN, e um taxi. O grupo devia ter umas 25 pessoas. Era um dia de semana comum, perto das 2h da madrugada. Eu abri a janela do quarto dos meus filhos e pedi que eles fossem para outro lugar pois precisávamos descansar, além do cheiro estar forte. Alguns que eu conhecia responderam que sim. Fechei a janela. Mas ouvi uns que eu não conhecia falar: “quem é esse imbecil? Ele que vá…”. Eles não saíram. Liguei para a PM diversas vezes, nem me atenderam.

No outro dia, sem ter ajuda do Estado, sem ter outra forma de lidar com o problema se não deixar as coisas se agravarem, fui eu mesmo procurar um jeito de resolver isso. Na moda antiga, velho oeste americano. Tive sorte, consegui. Mas podia ter dado tudo errado. E tudo porque uma gurizada começou a fumar maconha na esquina da minha casa.

A crise na segurança pública não é à toa. E não é só culpa do governo, da polícia, do Judiciário, nem das leis, embora sejam estas instituições que podem resolver o problema. No Brasil, insistimos em acreditar que nosso comportamento não faz diferença para resultado de mundo que temos. O tráfico de drogas é uma mazela mundial. Destruiu a Colômbia, a Bolívia, o Peru, a Venezuela, o México. Destruiu a periferia do Rio de Janeiro, de São Paulo e está destruindo a nossa em Porto Alegre. Liberar o uso recreativo da maconha pode até ser uma forma de lidar, mas evidentemente não vai resolver o problema, pois o tráfico pouco se importa se a droga é vendida legalmente ou não. Mesmo que se criem regras de uso, é evidente que o tráfico vai continuar pois é mais vantajoso a venda fora da legalidade.

Leio diariamente incontáveis críticas a todo tipo de autoridade e instituições, muitas bastante articuladas e precisas. Mas ninguém ter coragem de apontar o usuário como participante desse lixo de situação? Seria como dizer que se eu compro um celular roubado, que custou a vida do seu legítimo proprietário, a culpa é da polícia e do governo?

O Brasil tem uma forma tão ridícula e infantil de enfrentar seus problemas que é desanimador pensar a respeito. As pessoas acham, por exemplo, que é possível lidar com a maior crise financeira da história brasileira sem cortar gastos! As pessoas lutam contra o levante anti-corrupção iniciado nos últimos anos porque atinge quem idolatram! As pessoas debocham dos poucos que efetivamente produzem e colocam no mesmo saco tudo e todos que podem para que, ao final, ninguém tenha moral de mudar nada.

Mas voltando à questão da segurança pública…

Enquanto tiver toda uma geração que cogita a extinção da polícia militar, que debocha das pessoas que se preocupam com a preservação de valores morais – mesmo que sejam divergentes -, enquanto não começarmos a valorizar as pessoas que fazem algo de bom e buscam melhorar a sociedade através das suas posturas, não haverá estrutura pública que dê conta de tanta falcatrua.

 

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