Feliz Natal pra ti

O tempo me ensinou que nem todos sentem a alegria que sinto no Natal. Não pelos presentes, nem pela questão religiosa, tampouco pelas críticas ao excesso de consumismo e afastamento dos motivos que levaram à existência dessa celebração. Algumas pessoas não gostam da simbologia que o Natal carrega, de união, de perdão, de reflexão. Provavelmente transferem para outro momento ou evento estes valores ou, quem sabe, nem se identificam com eles.Eu aprendi a respeitar isso. Sinceramente.

Para todas as demais que aproveitam a data para reflexionar e celebrar, o Natal inunda o coração de carinho, alegria, saudade, sonhos.

É bom termos momentos que nos forçam a introspecção e, ao mesmo tempo, se transformam em festa de aconchego e aproximação.

Não tenho comigo a presença de todos que gostaria. Sinto pencas de saudades de muita gente que se foi e de outros que não querem ou não podem estar ao meu lado.

O ano se passou com tantas mudanças, tantos duros enfrentamentos. 

Só a elevação das intenções e dos propósitos existenciais pode trazer conforto. Se não, de que vale tudo isso? De que vale tanto sacrifício se não carregarmos a crença – ou ao menos a esperança – de que dias melhores virão?

O Natal me é isso. Esse reacendimento que acaba por fortalecer um pouco mais o coração para as novas lutas que virão.

E é o exemplo do aniversariante que me anima. Suas lições, seu carinho, seu encantamento, sua capacidade de tornar líderes de um movimento que revolucionou a humanidade pessoas que antes eram simples e despropositadas.

O Natal me lembra do compromisso que tenho com os outros e comigo. Da gratidão que sinto pelos que estão ao meu redor e pelos que estiveram. Me remete aos meus lúdicos propósitos, para que eu não me perca nesse mundão cheio de desvios que nos levam pra longe de nós e dos nossos.

Desejo a ti um Feliz Natal do jeito que ele te for melhor!

E agradeço ao aniversariante por essa festa em que todos celebramos e nos reunimos.

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Generalização.BR

Adoramos uma generalização, não é! Gostamos tanto que ela é absolutamente institucionalizada. 

A escola pública, por exemplo. Ninguém paga mensalidade. Achamos que todo o estudante de escola pública está impossibilitado de pagar qualquer quantia pelo estudo que recebe. Generalizamos o tipo de estudante, a sua condição financeira e o seu interesse em (não) contribuir. Agora imagina numa escola, mil alunos contribuindo com R$ 30 mensais durante dez meses. A escola renovaria a sua estrutura todos os anos, teria computadores modernos, laboratório de química e física e biblioteca. E o aluno que não pudesse contribuir, por óbvio, seria isento.

E no posto de saúde? R$ 10 a consulta é demais? Cem consultas por dia renderiam mil reais que poderiam manter a farmácia ou o laboratório.

Os comerciantes não podem diferenciar quem paga em dinheiro e quem paga com cartão de crédito ou cheque pré-datado. Quem perde com essa generalização (que tem como fundamento a igualdade de tratamento entre clientes)?! O cliente, óbvio. Porque o comerciante não consegue manter o preço mais barato para duas operações diferentes e acaba cobrando o preço mais caro de todos. Aí, se resolver dar um desconto para uma compra vultuosa paga em dinheiro, estará comente do uma irregularidade em tese… vai entender…

Vivemos há muito tempo com outra generalização ruim pacas: políticos. Tratamos todos como corruptos e incompententes. Quem ganha são justamente os políticos corruptos e incompetentes, que se veem igualados aos demais.

E os empresários? Tudo explorador e sonegador.

Servidor público? Tudo vagabundo.

Jogador de futebol? Tudo salto alto, mercenário.

A direita? Tudo reacionário. 

E a esquerda? Vagabundagem que vive do dinheiro dos outros.

Viram? Temos generalizações pra quase tudo. E quem perde são todos os diferentes, os que se destacam, os que se esforçam para fazer e ser melhor.

O jeito é olhar pra tudo (generalizando!) com um novo olhar e se permitir diferenciar, dando a cada atitude e a cada esforço o seu devido valor.

Reforma da Previdência

Ninguém duvida que as regras previdenciárias precisam mudar. Pensando bem, tem gente que acha que compete ao Estado/União compensar o déficit contributivo, posto que nosso regime previdenciário é assistencialista. Isso é o que temos hoje, onde o déficit é coberto pelo caixa geral, ou seja, pelo que se arrecada nos demais impostos. Dito de outra forma: hoje, quem paga IPI num carro está pagando a aposentadoria de alguém. O mesmo quando paga imposto de renda.

O que se está discutindo no Brasil sobre previdência neste momento é justamente se esse modelo pode prosperar. É justo que outros contribuintes contribuam para a aposentadoria de A ou B?

Eu responderia: depende. Quem é o A ou B?

Os números apresentados oficialmente são lidos de forma muito diferentes por analistas de bases corporativas distintas. Mas se sabe, a grosso modo, que militares, rurais e servidores públicos são deficitários na relação contribuição-aposentadoria, enquanto a iniciativa privada é superavitária.

Então sabemos que os contribuintes da iniciativa privada pagam as aposentadorias dos militares, dos rurais e dos servidores. E ainda falta um bom tanto que é suportado pelo caixa geral, na lógica apresentada no primeiro parágrafo.

Pois bem. A reflexão é: isso é correto? Podemos levar isso desse jeito? Mesmo considerando que a base contributiva privada irá cada vez menos suportar a diferença?

Existem diversos modelos contributivos por aí. Não precisamos imitar ninguém, mas precisamos encontrar um que não quebre e seja mais justo, para que o pequeno contribuinte previdenciário não sustente quem tem renda muito superior a sua e, principalmente, para que a carga tributária geral não seja ainda mais majorada para suportar déficit previdenciário.

É válido considerar as teses de que se não houvesse corrupção, nem tantos benefícios fiscais, nem tanta sonegação as coisas seriam diferentes. É válido. Mas é insuficiente. Não é porque há sonegação, corrupção e excesso de concessões que não devemos discutir esse modelo injusto que hoje temos. Injusto com o pequeno, que trabalha mais e contribui proporcionalmente com muito mais para ganhar muito menos. Injusto com o trabalhador da iniciativa privada, que é limitado por um teto que se desfaz rapidamente diante da inflação. E injusto com a sociedade, que é tributada para sustentar quem menos precisa.

Pois esse é um mérito da atual proposta.

O demérito é que não ataca diretamente as categorias que são mais deficitárias. E, por isso também, torna muito penosa a aposentadoria para quem já está num sistema previdenciário difícil.

Se  eu fosse adepto de teorias conspiratórias, diria que isso é premeditado para dar errado. Assim, a sociedade se une contra a proposta porque quem está na boia não quer cair na água e quem está na água não consegue suportar mais uma onda.

Mas não sou. Acho que se sabe a grande dificuldade política que é mexer nos direitos de qualquer categoria, principalmente nas que são as mais organizadas, capitalizadas e influentes do cenário nacional. Tem de ser assim. Mudar direito tem de ser difícil mesmo.

O que não se pode é continuar tratando o assunto como se tudo fosse igual, pois não é. Há categorias que são muito deficitárias na matemática previdenciária porque ganham valores muito superiores aos dos demais contribuintes. E não se diga que pagaram por isso, pois se tivessem pago por isso efetivamente não haveria o déficit.

A reforma é inevitável. Mas não essa. A reforma precisa tratar todos os brasileiros como pessoas iguais.

 

 

A ilógica do crime

Existem diversas histórias que reivindicam a origem dos contratos de seguros. A mais remota que já li diz que, em rios chineses, muito antes do Cristo, transportadores criaram uma espécie de fundo para diminuir os prejuízos decorrentes da perda de produtos, fosse por roubo ou afundamento da embarcação. Em geral as pessoas buscam antídotos para suas adversidades, a ponto de chegarmos ao grande momento tecnológico de hoje. Evoluir é, evidentemente, uma aspiração humana, em que pese muito lenta e muito sútil às vezes.

Sempre houve e sempre haverá os contra-evolucionistas, seja no discurso, seja nas atitudes. O criminoso é um deles. O criminoso é o pior tipo materialista, pois coloca todos os valores abaixo do dinheiro. Por dinheiro vale desrespeitar o esforço do trabalho alheio, vale invadir a privacidade, vale machucar e tirar a vida. Gostar de ser criminoso, vangloriar-se de conseguir bens e vantagens à custa dos outros é burrice, por mais esperteza que pareça ser. Uma burrice egoísta e autodestrutiva.

Tudo na sociedade é interligado. Quando um bando assalta um caminhão cheio de eletrodomésticos na Rio-Santos está fazendo com que todos paguemos mais por isso. Não só aqueles que querem adquirir produtos similares, que terão de pagar os custos de segurança e seguro que se adicionarão, mas todos nós, porque a estrutura estatal que lida com tais problemas também deverá crescer e, portanto, custar mais ao bolso do contribuinte. Gastando mais em segurança, se gastará menos em saúde e educação ou em praças e eventos culturais. Quando se gasta menos nisso, se gasta menos em viver e adoecer ou morrer se torna cada vez mais possível.

Gostamos de atribuir nossos problemas sociais à ganância dos mais ricos, mas a ganância não escolhe classe social. O pobre e rico que roubam produzem os mesmos danos. Detonam seu redor de forma regular e, embora pareça que os locupletantes vençam num primeiro momento, a verdade é que todos perdem e eles ainda tendem a ir presos.

E educação que precisamos nas escolas é essa que ensine a refletir o básico da vida. Gastamos tanto tempo falando em ideologias justamente porque acreditamos que é esse debate que elevará a reflexão social, mas não é. Da maneira que refletimos sobre isso, neste momento, apenas dividimos as aspirações ideológicas, criando grupos desnecessariamente rivais que, parecem, buscam o mesmo desenvolvimento usando métodos distintos.

Muito antes de discutirmos aspectos político-ideológicos nas escolas, deveríamos mesmo é falar de valores. Valor, desde sua etimologia até o reflexo prático da sua reflexão. Vale mais trabalhar ou reivindicar? Vale trabalhar para sustentar quem não pode trabalhar e/ou quem não quer trabalhar? Vale mais o que se ganha ou o que se conquista? E os que não podem conquistar, como ajudá-los a buscar seus objetivos?

Valor é muito mais que moral, embora seja seu integrante. Valores são cada órgão do corpo moral. Precisam de integração para tudo funcionar. Se um está inadequado sobrecarrega os outros e pode levar ao colapso.

Imaginemos todos esses brasileiros que se dedicam ao crime produzindo algo positivo com o mesmo ímpeto! Poxa, os caras compram fuzis, enfrentam a polícia, usam dinamite. Se escondem da vida, se arriscam por dinheiro. Imagina toda essa coragem e esforço numa atividade legítima e produtiva!

Mas o problema é justamente a falta de valores. No fundo, eles não fazem tudo isso apenas por dinheiro. Fazem porque não enxergam algum significado existencial. Acham viver banal e tornam insignificantes as reflexões sobre isso.

A falta de lógica vem da falta de educação. A criminalidade é reflexo do que deixamos de ensinar em nosso país. Melhorar a educação pode ser sistêmico, mas sempre será pessoal. Sempre dependerá de alguém que faça a diferença e transforme o lógico em algo humano.

A educação nos salvará das nossas mazelas… lógico, quando resolvermos valorizá-la.