Por que a democracia?

A democracia surgiu na Grécia antiga, mesmo lugar onde nasceu a filosofia ocidental. É interessante que um dos pais da filosofia grega, Platão, não acreditava nesse sistema. Para ele um sistema ideal seria aquele em que notáveis governassem, no caso os filósofos, afinal não existiam títulos de pós-doutor em administração pública ou política na época.

Mas hoje existe.

Platão fora discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles. Sócrates, lembrando, foi condenado à morte por envenenamento porque, segundo sua acusação, corrompia a juventude com ideias que eram avessas aos deuses gregos. Fora julgado e condenado por um tribunal democrático com 501 cidadãos.

Platão, talvez por isso, nunca se convenceu que a vontade da maioria é a melhor. Somos dois.

Passados 2.500 anos cá estamos ainda tentando estabelecer no ocidente regimes democráticos efetivos e que funcionem. Por quê? Não está absolutamente claro que a vontade da maioria não significa que seja o melhor? Não está claro que essa vontade só é respeitada pelos governos quando lhes convém?

O mundo poderia, em primeiro lugar, deixar de lado a ideia de que a democracia precisa ser estabelecida em todos os países. Que seja naqueles em que assim se deseja. E tudo bem… há princípios e valores mais importantes para se exigir universalmente. Ética, por exemplo, é um deles. Aliás um dos valores mais exaltados pelos filósofos gregos referidos. Até porque o que chamamos democracia é muito diferente dependendo do lugar e da época.

Estamos prontos para avançar a um novo patamar de Estado, onde a gestão pública deveria ser realizada por técnicos. Assim como temos um poder jurisdicional técnico, devemos instituir um poder administrativo técnico. E o legislativo, eleito democraticamente, permanecerá sendo o orientador e o revisor, o poder que cria a lei que dirá o que é o desejo social.

Os regimes parlamentaristas soam como uma etapa para esse destino que teorizo.

Reflitamos: nossa realidade é a de que a cada mudança de paradigma ideológico ou político o Estado muda sua administração. Não há continuidade. Não há respeito a bases técnicas evidentes. Não há capricho. Não há ética. Não há técnica. Há uma disputa político-ideológica juvenil, muita demagogia, muito paternalismo e pouca efetividade.

Passou da hora de sermos geridos por quem sabe gerir.

Se haverão cotas raciais, redução da jornada de trabalho, igualdade de gênero, liberação da maconha, aposentadoria especial para militares e professores… tudo isso o legislativo dirá. E o órgão de gestão administrativa continuará firme e determinado a fazer funcionar o Estado, sem milhares de CCs, sem partidarismo, sem disputa político-partidária. Como ocorre hoje no judiciário.

Pense nisso.

 

 

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