A divindade mínima: o deus simbólico

Sou cristão e, portanto, acredito em Deus. Inicio com esta afirmação por respeito intelectual aos que pensam (ou sentem) diferente e quiserem desistir da leitura.

O Deus que acredito é e não é igual ao Deus de outros crentes, mesmo de outros cristãos. O que acredito é magnitude soberana de todas as virtudes que conhecemos e não conhecemos. É energia criadora, renovadora e mantenedora do universo. É força que compele a tudo e todos à evolução. E regra a vida até mesmo por imposição física, como a gravidade ou o carma.

Entendo que a divindade não precisa ser reconhecida para se manifestar. Portanto, podem existir pessoas que não acreditam em Deus e vivem uma vida mais próxima d’Ele que outra que se dizem crentes. Na mais das vezes a sintonia com Ele não passa pela razão.

Contudo cada vez mais fica claro que a simbologia divina é necessária ao ser humano. A ideia de que a vida tem sentido, de que há valores inatos e comportamentos mínimos desejáveis se mostra cada vez mais necessária.

A prisão mental de determinadas doutrinas religiosas – ditas igrejas – é menos nociva à humanidade que a liberdade comportamental irresponsável. O homem, como ser em evidente evolução, depende na sua infância existencial de parâmetros mínimos de orientação que, ignorados, podem compeli-lo à animalidade. Nem sempre por maldade, mas por ignorância. Nem sempre por intenção, mas por circunstância.

Nossa época em nosso país tem muito desse enfrentamento intelectual. Aliás, é um “enfrentamento intelectual” para os menos crentes, porque os crentes se identificam afetivamente com a divindade. Mas voltando ao tema, o enfrentamento que se trava a nível racionalista em nossos dias força, racionalmente, que se conceba a necessidade de transferir às pessoas um sentido existencial que contemple valores mínimos e mantenha o ser humano num prumo. Se não, a vida vira um mero estalo temporal, um acidente cósmico. E, se sentindo assim, qual o filho rejeitado por seus genitores, nos tornamos vazios, despreocupados, desmotivados, desinteressados. E isso nos materializa, ao invés de nos humanizar.

Deus é muita coisa, mas no mínimo é fonte de esperança, de força, de união. É elemento de integração humana, de reflexão e elaboração.

Se a humanidade escolher retirar a figura da divindade da vida, o que irá substituí-la? O dinheiro? O Estado? O rock’n Roll? A ciência?

Deus é muito maior do que isso. Sua importância, aos crentes, é muito superior a qualquer dessas racionalizações. Mas tentando não falar da divindade e sim daquilo que representa, não existe outro meio de transferir ao ser humano o conjunto de valores, sentimentos e força da divindade senão através dela mesma. Essa simbologia é intransponível aos nossos conhecimentos.

Deus é muito mais do que podemos Lhe supor. E sua simbologia mais necessária do que nossa razão.

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