Mas que raios é isso que estão falando?!

Vivemos numa época em que já sabemos que a vida é melhor quando respeitados certos valores: igualdade, compartilhamento, fraternidade, compaixão, respeito, bondade, justiça, tolerância, dentre outros. O que não sabemos ainda é como fazer isso…

Por exemplo: tolerância. Nos nossos dias a palavra é repetitivamente usada para pedir aos conservadores que tolerem as diversidades, mas ela não é usada pelas minorias para tolerar o pensamento conservador. Vamos falar isso de outra forma: o jovem quer que seu avô pense como um jovem.

Outro exemplo: igualdade. É tratar todos iguais? É considerar todos iguais? É exigir que todos pensemos igual, tenhamos valores iguais, ajamos da mesma forma?

Bondade é um exemplo cujo debate tem me assustado um pouco. É cada vez mais ecoado que não existem “pessoas de bem”, no sentido, penso eu, de afirmar que todos somos passíveis de realizar maldades eventuais. É isso mesmo!?

O caminho que escolhemos está num ponto em que os valores historicamente preceituados estão sendo questionados e reformulados. Isso é bom. O que não é boa é a ideia de que os novos valores devem suplantar os anteriores totalmente. Essa ideia de descontinuidade atesta que a lição não foi aprendida, que apenas se mudou de lado, apenas se defende a mesma coisa de antes mas agora pro outro time.

Não há evolução cultural com a ideia de descontinuidade. A cultura humana é cumulativa, com acertos ou com erros. O que hoje é tratado como machismo e valorado como ruim já foi essencial para sobrevivência de certos grupos.

Veja por exemplo a questão da aceitação das relações homoafetivas. O mundo já a enfrentou de diversas formas ao longo da sua história, dependendo do lugar e da época. Na Grécia antiga de Platão – que dá origem a grande parte dos valores ocidentais – as relações entre homens e jovens garotos era tratada com hipocrisia, existindo uma aceitação velada e eventualmente até incentivada, mais ou menos como hoje tratamos o adultério. Então, esse não é um tema atual, nem novo, muito menos decorrente unicamente de valores religiosos ou moralistas. É um debate da própria condição humana, que se resume por motivos ideológicos.

Sabemos, portanto, os valores que nos permitirão viver melhor. Isso está claro. O que não sabemos é como efetivamente cumprir tais valores. Afinal, como se produz igualdade? Como se lida com o machismo, com o feminismo? Como se ensina a tolerar a diversidade?

A humanidade demonstra nesses seus enfrentamentos que, de maneira geral, melhorou tanto quanto a seus ideais quanto à sua prática, pois efetivamente hoje somos menos violentos, menos hipócritas, mais tolerantes. Mas ainda assim nos acusamos diariamente do contrário, como se todo o processo cultural humano fosse um erro imperdoável, como se apenas o que hoje se propõe como bom efetivamente o fosse.

Ora, se fôssemos tão detestáveis assim não teríamos chegado aqui!

A humanidade está num dilema existencial sobre a efetivação de seus valores como sempre esteve. São nossas lideranças que farão diferença, pois a massa humana é manobrável, frágil moralmente e se dispersa. A democracia não é o melhor sistema porque permite que todos tenham a mesma voz, mas porque permite que todos sejam como quiserem e participem se quiserem. A voz que comanda é daqueles mais preparados efetivamente, daqueles que melhor cativam e se impõe. É da nossa condição, não nos iludamos que podemos pular degraus evolutivos. Enquanto alguns de nós querem simplesmente viver sua vida, muitos vivem de debatê-la. O debate é menos importante que viver a vida, mas estão o transformando na própria existência.

A forma de colocar em prática qualquer coisa que se prega é vivê-la, não debatê-la. O debate é formação. A prática é maturidade.

 

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