A morte da ovelhinha

Certa vez meu tio passou na minha casa e me convidou para irmos na área rural da nossa cidade buscar uma ovelha para assarmos. Meu filho, então com cinco anos, e eu embarcamos e rodamos uns 30km até chegarmos num dos tantos criadores da região. Ali em meio a tantas, meu tio escolheu a que mais gostou. O gaúcho criador logo a pegou pelas patas traseiras, a levantou e quando ia estocá-la eu disse: “para, espera…”. Vi que meu filho estava ali assistindo com uma mistura de curiosidade e medo. Tirei-o dali e o serviço foi feito. Voltamos pra casa com pouco mais de onze quilos de carne.

Agora leio algumas manifestações sobre o programa do Rodrigo Hilbert, quando mostraram o abate de uma ovelha. Me confesso cada vez mais assustado com a bolha em que algumas pessoas vivem.

A vida fora das grandes cidades e das áreas urbanas pode ser muito diferente do que alguns tentam impor com suas teorias. Mas não é o desconhecimento disso que me assusta. O que me assusta é a tentativa constante de se impor uma moral absoluta, politicamente correta e artificial.

Ninguém é obrigado a comer carne. Há restaurantes, sites de internet e grupos de estudo que ensinam muito sobre alimentação vegetariana, vegana e naturalista. Creio, sinceramente, que daqui a alguns milênios vamos achar absurda a carnificina que hoje alimenta nossas mesas, como hoje achamos absurdas algumas rotinas da humanidade do passado. Mas esse ainda não é nosso tempo, nem nossa cultura.

Então, por favor, respeitem quem tem outros desejos e valores. Respeite o homem do campo que vive do que cria e abate. Respeitem as pessoas que por opção, por inserção cultural ou por necessidade não podem se adequar à cartilha pós-moderna do politicamente correto.

Ao invés de nos assustarmos com o abate de ovelhas que são criadas para o abate, por que não escolhemos violências cotidianas mais absurdas e incoerentes?!

Quem quiser, que tire o seu filho da sala quando estiver passando o programa do rapaz. E saia junto. É simples assim.

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