Incoerência Polarizada

Caso você se preste a analisar os argumentos das disputas no espectro político-ideológico não terá dificuldade de constatar que há em cada lado o que se acusa no outro.

Veja, por exemplo, a crítica do pessoal de esquerda aos cristãos, de que são armamentistas e, assim, nem tão pacifistas quando seu mestre ensinou deviam ser. Seu mestre, continuam, não julgaria gays e marginais como o fazem.

Do outro lado, a crítica do pessoal da direita aos marxistas de Iphone, grande maioria oriunda de universidades e da classe média, como Marx, que nunca soube o que era trabalho duro e exigia que os ricos dividissem sua própria riqueza, mais não se dispunha nem a criar mais riqueza para fazê-lo, nem a dividir a que já tinha.

Esquerda grita com ódio nos olhos que os brancos e ricos odeiam os negros e pobres.

Direita rebate dizendo com ódio no discurso que os esquerdistas demagogos criam esta disputa por estratégia ideológica, ao invés de provar em atitudes que não são o que lhe acusam.

Há idiotia em qualquer classe social, em qualquer cor de pele, em qualquer orientação sexual. Há ódio e raiva em qualquer alma humana e a capacidade de reverter isso em algo mais nobre também. Não tenho relutância em afirmar que o discurso da esquerda marxista é bobo, imaturo e repleto de incoerências que se provam pela simples impossibilidade de implementação em qualquer época, em qualquer lugar, sempre que se tentou. E no caso sul-americano, o marxismo é tão presente que considera a social-democracia parte da direita… um absurdo. Foi o Partido Social Democrata alemão que transformou Marx no mito que hoje se conhece.

A direita, que é mais madura efetivamente em seu discurso, poderia sê-lo também ao rebater os frágeis argumentos marxistas. Sabem por que não é!? Porque todos temos nossos limites, nossos defeitos. Todos somos dotados de acertos e erros em nossas avaliações, em nossas análises.

A disputa de argumentos vai longe ainda. Poderíamos passar para um outro nível de diálogo, em que a efetividade fosse mais importante.

Dou exemplo (e posso estar errado): sou contra a liberação da maconha, mas sou a favor de liberá-la para que se verifique se a tal liberação ajudará a diminuir a criminalidade. Nos países em que se está tentando, há experiências positivas e negativas. Tenho particular convicção de que não vai, como tive com relação ao desarmamento da população civil. Mas precisamos permitir que certos experimentos sociais sejam implementados e precisamos olhá-los exatamente como experimentos, com atenção e olhar crítico.

Por outro lado, também precisamos acirrar nossa luta contra a impunidade e deixar de lado o discurso permissivo e vitimista. Do jeito que alguns pensam no Brasil, parece que por se ser pobre e vileiro o indivíduo precisa ser criminoso… o que é um sofisma infantil.

Brasileiro é violento, é desrespeitoso, é leviano, é parcial. Mas também é persistente e alegre e empático. Quem nos estuda deve considerar isso ao propor suas teses. Ficar alardeando que aqui se mata mais gays que em qualquer outro lugar do mundo é hipócrita, pois aqui é dos lugares que se mata mais qualquer tipo de gente. É desse tipo de debate que não precisamos.

Há hoje no mundo – não é um privilégio só nosso – uma polarização hipócrita e incoerente. Virou jogo de futebol a discussão política. Quero crer que seja positivo, pois ao menos estamos popularizando o debate. Contudo, o ser humano depende de suas lideranças – crer que a massa das pessoas vai agir com nobreza é algo, infelizmente, impensável. E as lideranças no regime democrático sabem dizer o que a maioria quer ouvir, ainda que seja o lixo. Por isso que aqueles que têm condição de lutar contra essa mesmice, contra essas bobagens, contra a adolescência da humanidade, precisam ajudar o debate a ir adiante.

É do mais preparado que precisamos esperar mais… e os mais preparados têm fugido desta responsabilidade.

 

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