A mecânica existencial

Sou um admirador da mecânica existencial. Ela é incrivelmente habilidosa em produzir os efeitos que deseja e em alterar os resultados indesejados.

Veja por exemplo a necessidade de êxito. Existem profissionais que se esforçam profundamente para serem bem-sucedidos. Boa parte deles possui um senso de responsabilidade profissional e social. Sabem que do seu esforço surge um determinado resultado desejado por seus clientes. Nem todos, contudo, produzem tal resultado motivados por sentimentos altruístas ou valores mais nobres. Alguns simplesmente são excelentes profissionais porque são ambiciosos. Outros porque são vaidosos e orgulhosos.

A mecânica existencial encontra meios de atingir seus objetivos valendo-se dos espíritos mais variados, seja através das virtudes seja através dos vícios.

A perpetuação da espécie humana é um exemplo. A natureza não precisa do amor entre os casais, tampouco de maiores compromissos. Ela não precisa sequer de beleza ou muita saúde. Contenta-se com parcas atrações ocasionais e fugazes.

Outro exemplo é o aprendizado existencial… quem disse que precisamos ser bons ou sábios para existir?! Que nada. Para sermos felizes, sim. Creio que a sabedoria é a principal ferramenta da felicidade e ela, ao contrário do que muitos pensam, não depende de grande estudo, muito menos de grande capacidade intelectual. Mas para existirmos – e assim cumprir uma formalidade existencial acima do nosso poder de compreensão – não precisamos de nada disso. E ainda assim aprenderemos e nos tornaremos mais sábios ao final da vida do que éramos ao iniciá-la. É um compromisso de mérito infalível que, quanto mais eficaz, mais chances de se propagar e se prolongar.

A mecânica existencial abusa das bobagens nos bobos e das virtudes nos virtuosos. Ela sabe precisamente alimentar em cada um o que for necessário para dispor do resultado que pretende.

 

 

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