O Trânsito

O trânsito é o maior reflexo da educação ou da deseducação de um povo. Ele reflete, em primeiro lugar, a eficiência do Estado, com vias adequadas, boa sinalização, boa fiscalização. Reflete também a organização das pessoas frente aos seus horários e seus compromissos. Reflete o grau de segurança e respeito que as pessoas atribuem ao que fazem e aos outros que estão ao seu redor.

Uma sociedade educada e responsável pode permitir que o motorista tenha algum nível de alcoolemia, porque este motorista estará mais amadurecido para avaliar se tem ou não condição de dirigir. É bem diferente, por óbvio, de se estar embriagado.

Uma sociedade como a nossa, desigual em todos os sentidos (e não apenas no econômico, como se costuma bradar), tem como resultado que as pessoas mais maduras (com desigualdade de responsabilidade) pagam pelos erros dos imaturos.

O Brasil perde anualmente cerca de cinquenta mil vidas no trânsito. Nenhum conflito mundial atual mata mais. Cinquenta mil vidas todos os anos e o sofrimento não nos muda! Afinal, quem não aprende no amor, não deveria aprender ao menos na dor?!

Quando olhamos para o brasileiro médio é fácil identificarmos que ele é um adolescente na sua maturidade. Egoísta, egocêntrico, imediatista, niilista, hedonista.

Muito se diz que a educação é a solução deste tipo de problema (social). É verdade. Mas não a educação curricular essa que nossas escolas mal conseguem cumprir. Essa é pouco útil até para o intelecto, que dirá para a moral. A educação que faz diferença é a produzida com o afeto, pela família, e quando esta falha é a educação da dor, com a punição, com um sistema eficaz de intolerância ao errado.

Acho desnecessário usar cinto de segurança em velocidades baixas. Gosto de sair e beber álcool. Acho chato andar de moto com capacete nos percursos urbanos. Sou uma pessoa comum, que detesta a intromissão do Estado na minha vida. Ainda assim sou obrigado a me submeter a estas imposições porque vejo ao meu redor que as pessoas precisam ser tratadas como crianças, pois não sabem se cuidar.

Sejamos nós a mudança que queremos ver no mundo.

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