O Governo Bolsonaro

Brasileiro, prepare-se: o Governo Bolsonaro será o governo mais difícil da história democrática brasileira.

Trata-se de um candidato de direita em meio a uma nação permeada pela cultura e pelos valores da esquerda, com massiva maioria da classe cultural, intelectual, sindical, educacional e dos servidores na oposição.

O Brasil jamais passou por isso, nem mesmo nos governos de Getúlio, que foram marcados por uma ferrenha oposição das classes produtivas e do status quo. Collor, o último governante de direita, com muito menos problemas a enfrentar e com uma oposição muito menos estabelecida, não durou metade do seu mandato.

A esquerda tem seus méritos e deméritos, como os tem a direita. Contudo, não é um mérito da esquerda o debate maduro e edificante. O que ela sempre fez e fará será uma oposição ferrenha, marcada pelo debate ideologizado (como tem feito nos últimos anos). A histeria que vemos em muitas pessoas decorre dessa construção astuta e malígna, que será uma das grandes adversidades de Bolsonaro e de seus apoiadores já de imediato.

Temo que Bolsonaro não dure dois anos. Temo que atos de provocação do terror sejam constantes. Temo toda e qualquer pauta reformista seja suplantada pelo debate meramente ideológico e populista.

Contudo não podemos viver submetidos aos nossos temores. Quem opta por isso na vida não vive. Nosso trabalho é participar da reconstrução desse ambiente belicoso construído e mantido até hoje por quem depende disso para atingir seus objetivos.

Acredito sinceramente que temos chances efetivas de mudarmos nosso país, de mostrarmos que essa construção maligna de brancos contra negros, patrões contra empregados, conservadores contra liberais, reformistas contra reacionários e por aí vai, possa ser desconstruída, porque há pessoas mais maduras à frente desse debate do que havia há vinte anos.

Além disso, o Brasil já mostrou que tem instituições fortes que cada vez menos se submetem ao interesse individual, à serventia ideológica e ao imediatismo populista. Foram nossas instituições, com todas as críticas que eventualmente mereçam, que nos protegeram nos últimos anos de nos afundarmos profundamente no abismo irracional da divisão, que tomou conta e quebrou boa parte dos países latino-americanos.

Nós vamos superar essa histeria!

Os que hoje se manifestam com (infantil) temor de que o Brasil se torne um caos vão mudar logo este sentimento, mas precisam estar atentos para perceber quem há de incitar o problema e quem há de viabilizar a solução. Não é difícil perceber, mas temos tido pouco êxito nesta avaliação.

A Bolsonaro só posso desejar seja iluminado. Que possamos nós todos participar de um novo Brasil voltado a valores que nos são caros e alheios e a debates que não podem mais ser substituídos pela retórica ideológica beligerante.

Façamos nossa parte.

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