Marijuana Libre, chegou a hora

É evidente que boa parte da estrutura de repressão estatal se mobiliza para obstar a circulação da maconha e, mesmo assim, há cada vez mais usuários, pessoas de todas as classes sociais, idades, origens. É resultado da falência de muita coisa, principalmente do discurso contrário ao uso.

Criamos, assim, um mundo paralelo e hipócrita e jogamos nesse mundo uma penca de gente que está a financiar constante e pesadamente o submundo do crime organizado. Além de financiá-lo, criam laços com este mundo e tornam a vida marginal interessante e tolerável.

A maconha é tratada com tabu e falo por experiência própria, pois cresci onde alguns viviam de vendê-la e não eram as melhores pessoas da vizinhança. 

Uma das formas de se avaliar a maturidade é o pedido. Sua forma, seu momento, do que vem acompanhado. A sociedade está pedindo a liberação. Boa parte do que a ciência informa dá conta de que o efeito entorpecente e viciante (que serviu de justificativa pro banimento e repressão) não difere de outros agentes legalmente aceitos. É chegado o momento. Temos de nos permitir tratar esse assunto com maturidade.

Que seja um período inicial de teste, com prazo para reavaliar-se o resultado. Cinco anos? Parece um bom prazo. Veremos socialmente e pessoalmente se liberar atinge os propósitos ditos e se há muito do não-dito que merece atenção especial.

Cessar o financiamento do crime organizado, que corre cada vez mais violento e mobilizado, já seria um bom motivo. É evidente que o tráfico ganha com a legalização, mas ganhará também quem tem efetivamente chances de combatê-lo: o comerciante legalmente tutelado. Mesmo porque o traficante não faz o que faz por ideologia, nem por convicção.

Outro bom motivo é dar chance a quem defende a legalização de provar sua tese. Viu-se com o desarmamento que as teorias expostas como argumento de implantação eram balelas.

E há a questão da liberdade, um valor pouco relevante culturalmente no Brasil. Precisamos respeitar o direito das pessoas maiores e capazes de usarem o que quiserem, desde que respeitem a liberdade e os direitos alheios. 

Chegou a hora de enfrentarmos esse debate com maturidade. Uma maturidade que, infelizmente, não tem nos acompanhado.

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