Os Irmãos Karamazov

Também não sei porque demorei tanto para ler Dostoiévski. Na verdade, comecei “Crime e Castigo” na faculdade, mas não terminei, não lembro porquê. Contudo, em “Os Irmãos Karamozov” a história me predeu desde o início. Não que a trama seja desde cedo envolvente, mas não é difícil presumir que, tendo três irmãos personalidades tão distintas, algo de  muito interessante haverá de acontecer… e acontece.

Como em “Dom Quixote de La Mancha”, neste livro percebe-se a profundidade das reflexões que o levam a tornar-se um clássico da literatura, atemporal e perpetuamente influenciador.

O autor russo escreveu essa obra no final do século XIX, numa Rússia que lutava contra a monarquia e estava em ebulição com grande influência do Marxismo. Na história, um pai devasso e imoral tem três filhos: o mais velho, militar e imponente; o do meio um intelectual, ateu e influenciado pelo marxismo; e o mais novo um seminarista religioso. Cada um vive diferente do outro, com seus desejos e afinidades.

A trama desenvolve o destino dessas diferentes personalidades, o que cada jeito de viver e de construir suas relações produz existencialmente. Freud comparou a obra a Hamlet e a Édipo Rei, provavelmente devido à reflexão profunda das relações entre pai e filho que o livro faz.

Impressiona como Dostoiévski fala de uma Rússia de 130 anos atrás, mas poderia estar se referindo a cada núcleo familiar da sociedade brasileira nos dias de hoje, onde há grupos que atacam os intelectuais de esquerda por serem excessivamente teóricos e materialistas, em oposição aos direitistas e aos religiosos. Quem se identifica com as reflexões sobre a influência ideológica, a necessidade de mantermos uma postura construtiva e que valoriza as virtudes que se deve buscar não pode deixar de lê-lo.

E, por favor, depois me diga o que achou.

 

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