O frio que aquece

O Grenal é o maior clássico do mundo. Não me venham com essa de Flaflú, de Barça contra Real, Boca e River… nada disso. Grêmio x Internacional é o maior clássico do futebol mundial.

A prova disso veio nesse dia 05 de junho de 2019. Nós gaúchos fomos alertados pelas autoridades meteorológicas de que o maior frio dos últimos tempos visitaria os pampas gaúchos. Foi então que o caçula da dupla rival teve a iluminada iniciativa de disponibilizar o seu ginásio de esportes, o Gigantinho, para abrigar moradores de rua. Não sei ao certo se convidado ou tocado pela iniciativa do rival, o Grêmio entrou na parada e doou parte da logística necessária. Viram-se ônibus azuis entrando nos territórios colorados aos aplausos e todos envolvidos na preparação do ambiente.

Os meteorologistas acertaram. Tivemos cidades com sete graus negativos. A temperatura em Porto Alegre ficou bem próxima dos zero graus.

A postura dos rivais ensinou muitas coisas. A primeira é que precisamos de iniciativas positivas das lideranças. Há muita gente trabalhando por um mundo melhor que não tem as ferramentas de influência dos clubes de futebol. Futebol não é racional, é uma herança transmitida em vida, um conglomerado de valores passionais que vendem produtos a rodo… por que não vender este tipo de valor?!

A segunda lição foi a de que, se tivermos bons exemplos, teremos resultados. Tem gente a dar com pau querendo fazer algo pelos outros, pelo mundo, e não sabe como. Todos temos nossas limitações. Às vezes é a timidez, outras a falta de tempo, outras é a simples preguiça. Quando vemos envolvimento, tendemos a nos envolver. Simples assim.

Não sei você, mas me emociono fácil vendo as pessoas agirem acima dos seus interesses pessoais. Fiquei emocionado com a postura do Internacional e, depois, com a participação do Grêmio. Já imaginou se os partidos políticos fossem assim?! Se eles deixassem de lado os interesses corporativos e ideológicos mais rasos em prol do que é maior?! Já imaginou um país onde essas rivalidades partidárias e filosóficas fossem suplantadas pelas iniciativas que fazem diferença, que angariam, que agregam, que constroem?!

Sei que sou otimista e isso pode influenciar nesta minha análise, mas acredito que temos muita gente esperando para fazer mais do que tem feito. Falta apenas iniciativa de boas lideranças.

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