Cristo(s)

José Saramago, ateu, escreveu “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, livro que lhe alçou ao Nobel de literatura. Nessa obra, um ateu apresenta a sua visão sobre Cristo, onde o Filho do Homem é tratado como um personagem histórico e humano, sem os adjetivos que costumeiramente lhe são atribuídos. Saramago é português e precisava ter extremo cuidado para dar a sua narrativa uma visão que pretendia “humanizar” Jesus sem desrespeitar a fé do seu povo. Conseguiu. A obra é espetacular.

Jesus não é o mesmo personagem divino para Judeus e Muçulmanos. Nestas outras religiões monoteístas, Jesus é um profeta, não o Deus vivo. Essa diferença, provavelmente, é o que faz com que cada uma das crenças se mantenha distinta.

Há um Jesus menos estudado pela maioria das pessoas, um Jesus mais místico, que teria sido casado com Maria de Magdala (Madalena) e com ela teria tido uma filha. Esse Jesus ainda é tratado como um messias e um iluminado, mas menos divino do que a visão católica. Podemos ver essa abordagem no filme (e livro) “O Código Da Vinci”, que é um romance baseado em obras místicas muito antigas e, hoje, retomadas ao debate graças aos Manuscritos do Mar Morto.

Há outro Jesus (e creio que surpreenderei alguns) que é a reencarnação de Buda e Krishna. Ele é tratado na obra “O Redentor”, de Chico Xavier.

Jesus é muito mais do que a Igreja Católica Apostólica Romana pretende e essas abordagens referidas demonstram isso. Mas nenhuma dessas abordagens o desrespeita.

Acho o ateísmo uma soberba, uma imaturidade. Contudo, jamais acharei o ateu uma pessoa menor do que o crente. Todos nós temos aspectos do nosso ser mais ou menos preparados, melhor ou pior desenvolvidos. Digo isso para, primeiro, afirmar que entendo porque alguns não creem em Deus e, segundo, porque acho que isso é aceitável (embora não seja bom). Isso não me dá o direito de debochar, nem ironizar, especialmente de forma pública quem assim pensa.

Numa época em que se brada tanto por aceitação, a melhor forma de aceitarmos o novo é reconhecermos que nem tudo é tão novo, nem tudo é tão velho. As visões de mundo e as reflexões sobre o mundo estão aí há milênios. A cultura humana não chegou até aqui por acaso. O que há de nos diferenciar não são nossas bandeiras, que nos apartam apenas por aspectos externos, mas sim nossas atitudes.

Há muitas visões de Cristo na história e, entre determinados grupos, cada uma delas é debatida e elaborada. Todas são visões de aprofundamento e, de algum maneira, veneração. Os católicos se autodenominam os detentores da verdade sobre Jesus e, para impor sua versão, já fizeram de tudo, desde as Cruzadas à Inquisição. Não o são. Mas isso não faz deles rivais dos demais. Faz deles apenas diferentes. Respeito seu ponto de vista, mas não as suas atitudes de impô-lo no passado.

O que não se compreende é a necessidade dos que não acreditam em Jesus ficarem repetitivamente buscando ofendê-lo e/ou ofender a crença dos que acreditam. É essa a “tolerância” dos nossos dias?! É isso o melhor que se consegue oferecer de oposição ao conservadorismo!?

Jesus é o maior personagem da história humana. Toda menção a ele deve ser feita considerando isso.

 

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Feliz Natal pra ti

O tempo me ensinou que nem todos sentem a alegria que sinto no Natal. Não pelos presentes, nem pela questão religiosa, tampouco pelas críticas ao excesso de consumismo e afastamento dos motivos que levaram à existência dessa celebração. Algumas pessoas não gostam da simbologia que o Natal carrega, de união, de perdão, de reflexão. Provavelmente transferem para outro momento ou evento estes valores ou, quem sabe, nem se identificam com eles.Eu aprendi a respeitar isso. Sinceramente.

Para todas as demais que aproveitam a data para reflexionar e celebrar, o Natal inunda o coração de carinho, alegria, saudade, sonhos.

É bom termos momentos que nos forçam a introspecção e, ao mesmo tempo, se transformam em festa de aconchego e aproximação.

Não tenho comigo a presença de todos que gostaria. Sinto pencas de saudades de muita gente que se foi e de outros que não querem ou não podem estar ao meu lado.

O ano se passou com tantas mudanças, tantos duros enfrentamentos. 

Só a elevação das intenções e dos propósitos existenciais pode trazer conforto. Se não, de que vale tudo isso? De que vale tanto sacrifício se não carregarmos a crença – ou ao menos a esperança – de que dias melhores virão?

O Natal me é isso. Esse reacendimento que acaba por fortalecer um pouco mais o coração para as novas lutas que virão.

E é o exemplo do aniversariante que me anima. Suas lições, seu carinho, seu encantamento, sua capacidade de tornar líderes de um movimento que revolucionou a humanidade pessoas que antes eram simples e despropositadas.

O Natal me lembra do compromisso que tenho com os outros e comigo. Da gratidão que sinto pelos que estão ao meu redor e pelos que estiveram. Me remete aos meus lúdicos propósitos, para que eu não me perca nesse mundão cheio de desvios que nos levam pra longe de nós e dos nossos.

Desejo a ti um Feliz Natal do jeito que ele te for melhor!

E agradeço ao aniversariante por essa festa em que todos celebramos e nos reunimos.