Escravidão – Volume I

Terminei de ler recentemente mais esse livro do jornalista Laurentino Gomes. É uma majestosa leitura, complexa e bastante completa. Aborda precisamente a escravidão africana, muito antes do europeu transformá-la em um negócio e muito antes do debate ideológico deformar o trato que se deve dar ao tema.

O autor traz elementos históricos que demonstram a responsabilidade de cada um dos envolvidos na escravidão do período colonial: o europeu, que industrializou e lucrou com um sistema milenar integrante da cultura africana; o africano, que tornou-se operador de um sistema industrial europeu de produção de mão-de-obra cativa; a Igreja, que usou, referendou e permitiu ideologicamente esse holocausto.

Há uma reflexão que entendo necessária sobre o tema: a escravidão é um fato presente em toda história humana, sem privilegiar praticamente nenhum povo ou região. Ameríndios, orientais, europeus, nórdicos, africanos… todos conviveram com a escravidão.

Ao contrário, contudo, do que propõe a forte narrativa dos nossos tempos, os brancos tiveram um papel diferenciado ante o escravismo além do de transformarem a cultura escravista africana num negócio lucrativo por 400 anos: os brancos foram os primeiros a impor ideologicamente, legalmente e, consequentemente, culturalmente o fim do escravismo. Foi a Inglaterra, com sua Revolução Industrial, quem iniciou um debate que resultou no fim da escravatura, seja a africana, seja a que for.

Hoje o debate se acalora nas consequências e nas compensações sociais. Vamos adiante!

Fases literárias

Terminei de ler recentemente um livro entitulado “A Vida Mística de Jesus”, escrito na década de 1920 pelo norte-americano Harvey Spencer Lewis. Concomitante a este, terminei um livro sobre os Templários e estou finalizando “A Reinvenção do Conhecimento”. Este último estou lendo lenta e vagarosamente há meses. Embora seja um livro interessante (realmente interessante) sobre a evolução da formação do conhecimento e sua transferência aos outros, minha leitura não deslancha.

Ler também tem fases. É a lição que tiro quando reflito sobre isso. Por certo, nem sempre um assunto nos interessará por mais interessante que seja. E, em outro momento, poderá se tonar absolutamente bom.

Comprei dois livros “de esquerda” (risos – não gosto muito destas rotulações): “Karl Marx – Grandeza e Ilusão”, de G. S. Jones e “O Homem Que Amava os Cachorros”, de Leonardo Padura. Não é coincidência.

As pessoas que buscam centrarem-se ficam constantemente reequilibrando a sua balança. Vejam que recentemente li obras de caráter hitórico-religioso, depois histórico-científico e agora vou pra algo histórico-materialista (o marxismo é chamado de racionalismo materialista). É uma tendência que nossas escolhas literárias sejam equilibrantes quando valorizamos o equilíbrio.

Depois conto como foi.