Meritocracia

Imagina comigo:

Jogar bola sem se importar com os gols;

Jogar canastra/buraco sem se importar com a pontuação;

Fórmula 1 sem se importar com o pódio;

Maratona sem se importar com o tempo;

Aula de matemática sem se importar com a prova;

Foguete pra Marte sem se importar se chega;

Construir uma casa que pode ter umas goteiras;

Atender um paciente sem se preocupar com a cura;

Governar com despreocupação ao dinheiro;

Ter filhos que podem fazer o que quiserem;

Ler um livro e não entender a história;

Ter um errado que é considerado certo;

Apertar um parafuso que pode ficar frouxo;

Cultivar uma plantação que não precisa dar frutos.

 

Se não buscarmos o mérito e o êxito a vida deixa ser ser possível.

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Meritocracia

Meritocracia – predomínio numa determinada organização daqueles que têm mais méritos – virou ponto de ideologização. Como tudo mais no Brasil. Não entendo porque perdemos tanto tempo discutindo certas coisas… mas vamos lá.

Se vamos formar um time de futebol do condomínio para disputar o campeonato municipal, vamos convocar quem: (a) os mais simpáticos; (b) os mais bonitos; (c) os que jogam melhor?

Se vamos colocar nosso filho numa escola, vamos escolher qual: (a) a mais perto de casa; (b) a maior; (c) a melhor?

Se vamos escolher nosso próximo emprego, escolheremos: (a) o mais perto de casa; (b) o mais fácil; (c) o melhor?

Se vamos tratar doença grave, escolheremos: (a) o tratamento mais barato; (b) o tratamento mais rápido; (c) o melhor tratamento?

Ok. Chegamos no primeiro estágio de reflexão. Já sabemos que praticamente sempre escolheremos o melhor quando tivermos essa opção. A melhor cerveja, a melhor rua para morar, a melhor praia para passar férias. Portanto, o que vai diferir é o que compreende o conceito de melhor para cada um de nós.

Estágio 2. Na Meritocracia é a mesma coisa. Podemos discutir qual é o mérito que vai ser valorado, mas nunca impedir que exista critérios de merecimento para a formação das relações e organização. É óbvio demais, mas vamos continuar.

Se não for pelo critério do mérito, qual será?

Quem ganhará a partida de futebol se não for por ter conseguido fazer gol?

Como se demonstrará melhor conhecimento acadêmico se não for realizando um teste?

Onde você irá trabalhar se não for onde se preparou para fazê-lo eis que, afinal, preparar-se é justamente cumprir o “mérito” para exercer a função?

Reitero a pergunta: se não for por mérito, qual será o critério? Pelo parentesco, pelo partido, pela religião, pela cor da pele, pelo gênero.

O mundo é melhor quando construído a partir do êxito. Isso exige esforço. Não significa que todos devamos ser iguais, nem competitivos, nem gênios. Significa que todos precisamos descobrir aquilo em que somos bons e o que temos a acrescentar. Não podemos nos permitir a mediocridade e a acomodação, pois é isso que cria a desigualdade. Não podemos pedir que as pessoas brilhantes parem de brilhar porque somos opacos. Temos sempre que nos enfrentarmos, nos superarmos, nos melhorarmos para que o sentido existencial não se contente em adquirir superficialidades como objetivos.

Meritocracia é isso, simples e natural. Sempre acompanhou a humanidade. Mas virou tema ideologizado porque, afinal de contas, para uns, se o mundo não é do meu jeito, que mude o mundo.

Discutir a meritocracia e não os seus critérios é coisa de fracassado. Faz parte daquele pacote de ideias que prega o que não faz, que imagina o que não pode ser materializado, que desorganiza porque desagrada. Se nos permitirmos viver nesse mundo de fracassados mentais, somos igualmente fracassados. E aí, o mérito por termos atingindo a mediocridade será de todos nós.