Patrão e Empregado

Até poucos anos o mundo era absolutamente patriarcal. Foi assim durante milênios e ainda é em muitos lugares. O patriarcado não foi mera imposição do homem sobre a mulher e a prole. Foi modelo familiar vertical marcado pela imposição da força, que resultava num mundo hierarquizado, repercutindo em toda a estrutura social. Não era, como alguns gostam de bradar, uma imposição maléfica. Era uma realidade daqueles tempos em que a razão se rendia à força porque ainda não tínhamos maturidade social e individual para valorizarmos outro modelo. Ninguém nasce sabendo, nem as sociedades nem as pessoas.

Se é verdade que os homens dominavam o mundo, e uns sobre os outros, também pagavam mais com a vida que as mulheres. Há evidências de que, em época de guerras, a população feminina chegava a ser cinco vezes maior que a masculina nas áreas envolvidas. Talvez por isso os homens começaram a se preocupar em criar regras, sistemas de governo, tribunais e outros mecanismos que resolvessem os conflitos sem uma espada e sangue.

As relações patronais decorrem desse modelo. Surgiram pouco depois do feudalismo (onde o senhor feudal era praticamente dono dos vassalos) e quase concomitantes ao fim da escravatura. Nasceram totalmente imersas nessa influência hierárquica e quase absoluta de poder.

Graças aos céus, tudo evolui. As relações patronais hoje sofrem interferência de sindicatos, leis, fiscais, mercado, capacitação, meios de produção e um sem fim de fatores.

Se é verdade que o empregado já foi um semi-escravo do patrão no século XIX, hoje goza de tamanha proteção estatal (ao menos em nosso país) que sequer tem o direito de renunciar boa parte dos seus direitos. 

Nesse novo mundo, o empregado tornou-se quase um sócio do negócio. Na empresa todos dependem um do outro. A existência de hirarquia, sempre necessária, diz mais à necessidade de se manter claras as funções e responsabilidades do que à importância de cada um no sistema.

Empregados comprometidos e competentes são muito valorizados. Passam a integrar o capital mais valioso do negócio. Essa visão do mundo, onde o trabalhador tem uma importância fundamental na empresa, é incipiente e desestimulada. Ainda é mais fácil olhar pra essa relação de um jeito vertical e polarizado. Esse olhar mantém estruturas que se extinguiriam se evoluíssemos. 

Imaginemos fosse difundida a ideia de que cada indivíduo é fundamental na empresa. De que a sua capacitação e seus resultados influenciariam diretamente no êxito do negócio. O mundo teria de dar passos adiante, deixando pra trás uma serie de estruturas desnecessárias. Patrões teriam de remunerar melhor, empregados teriam de se responsabilizar mais. O estado teria menos poder de influência e os sindicatos seriam referidos em livros de história. 

Nessa nova etapa das relações trabalhistas, o avanço e a produção dependeria muito mais do esforço, da competência, da afinidade dos envolvidos. Esse modelo já existe, está por aí em diversas empresas. Mas como é distante da mentalidade média de nossos educadores e antagônico aos nossos padrões culturais, ainda é desprestigiado e desrespeitado. Afinal, a quem interessa um mundo melhor de verdade e não apenas no discurso!?

Com certeza o que se discute em termos ideológicos é tão somente a manutenção de velhos padrões sob novas vestimenta. Já estamos prontos para ir adiante, mas isso exige mais de ambos os lados.