Relativismo

Einstein batizou sua teoria de Relatividade, do que um leigo como eu entende que analisou suas premissas considerando que elas se fundam em referências não absolutas, que se alteram dependendo dos fatores. Algo ser relativo é isso, é depender de uma relação entre parâmetros para que se estabeleça um valor; é dizer que determinada conclusão depende de determinada relação.

Filosoficamente o debate entre o absoluto e o relativo existe há milhares de anos. Do ponto de vista racional não fomos capazes de estabelecer definitivamente se tudo é relativo ou se há um absoluto no Universo. Vou além: não conseguimos sequer estabelecer se esta conclusão é pertinente.

Dizermos algo a alguém é muito diferente de se dizer o mesmo a outrem. Dizermos “tome cuidado” a pessoa excessivamente cautelosa pode torná-la inoperante; se dissermos o mesmo a pessoa despreocupada poderemos estar ajudando-a encontra um equilíbrio. Portanto aqui há um relativismo entre o valor “cuidado” e a personalidade dos agentes. Contudo, pensando sob outro de vista, esta relativização só tem relevância se o significado de “cuidado” for o mesmo, pois se houver uma graduação relevante do que significa “cuidado” para cada um dos agentes, a advertência “tome cuidado” perde totalmente o sentido.

Vejamos que do ponto de vista relativista parece que alguma coisa próximo do Absoluto se faz necessária para que exista sentido. Se tudo for sempre relativo, sem qualquer referência absoluta, não haverá significado em nada.

Parei com a reflexão filosófica. Vou para a proposição específica do texto.

O mundo tornou-se excessivamente relativista. Não há mais valores, nem objetivos, nem parâmetros absolutos. Se por milênios o objetivo da vida humana, por exemplo, era casar e ter filhos, hoje isso é eventual. Não há mais nenhum tipo de compromisso individual ao que sustenta o indivíduo, tornando a relativização de tudo um fator de desequilíbrio. E não julgo aqui, estou apenas referindo algo que é evidente em nosso tempo.

Ainda assim, tal desequilíbrio tem uma função existencial, pois decorre de uma elaboração da vida e da individualidade. Haveremos de encontrar um ponto de equilíbrio porque isso é indispensável à vida. A vida dá o seu jeito! A natureza é maior que a razão e maior que o indivíduo.

É um tanto assustador o que se faz para justificar o que se fez. É um tanto assustador o quanto se usa parâmetros (por exemplo, “ser democrático” ou “ser de direita”) sem que haja um elemento efetivo e absoluto sobre isso na utilização, tornando inclusive as classificações e distinções excessivamente relativas. Hoje pouco significam os significados. Servem muito mais como adjetivos do que como substantivos.

A existência humana é marcada por uma busca mais ou menos consciente do Absoluto. É ele quem nos dá segurança. Talvez estejamos no meio de uma escalada existencial onde aprendamos a ter segurança em indispor do absoluto… mas creio que não. Creio intuitivamente que isso é impossível.

O problema é que, hoje, sabemos que indivíduo acredita que sobrevive sem o coletivo melhor do que o coletivo crê possa sobreviver sem o indivíduo. A individualidade está aprendendo a ser livre da manda, porque, afinal, a manada nem sempre é o melhor que poderia. A relativização é que nos fez evoluir tecnológica e socialmente tanto em tão curto período.

Sempre que tiver dúvidas sobre relativizar ou buscar o absoluto, lembre-se que, no fundo, isso é muito parecido e que toda a dúvida dual só será sanada com um terceiro elemento.