A sinceridade afetiva

Desenvolvi uma teoria (de tantas) sobre a sinceridade: quando as pessoas falam dela, estão falando da sinceridade racional, não da sinceridade afetiva. Elas são diferentes.

Quando o jovem namorado se esforça para cumprir os deveres de cheff e preparar um ótimo e prazeroso jantar para sua namorada, depois de comprar os ingredientes e pedir opinião para duas ou três cozinheiras mais experientes de como prepará-los, mas ao final o esforço não atinge nem perto o objetivo inicial…

Quando a amiga compra de presente uma coleção de arte caríssima que, acreditava, combinaria com o seu novo consultório, mas as cores acabam por não fechar…

Quando o cachorrinho que você deu pra sua esposa roeu o pé da mesa que o pai dela deixou de herança…

Quando teu filho de quatro anos te entrega uns rabiscos e tudo que você consegue identificar são duas cabeças e um coração…

Ficou bom? Você gostou?

Podemos responder com nossa sinceridade racional e dizer que não, que ficou salgado demais, que as cores não fecharam, que não queria um cachorrinho neste momento para ter ainda mais uma tarefa ou dizer que não entendeu o desenho.

Ou podemos responder com nossa sinceridade afetiva: amei!

É maravilhoso quando as duas podem ser combinadas. Talvez seja uma das manifestações da felicidade na Terra quando podemos, racionalmente e afetivamente, nos sintonizar com os outros e conosco. Mas sabemos que essa combinação não está disponível com muita regularidade.

Sinceramente… o bom mesmo é aprendermos a extrair o melhor de cada situação, mesmo daquelas que não parecem tê-la. A razão e a emoção caminham juntas quando as alinhamos, não quando esperamos venham alinhadas.

 

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