A Elite Judiciária

Você conhece alguma categoria profissional que tenha 60 dias de férias por ano?

Que recebe adicional para cada atividade realizada diversa da atividade principal?

Que substitui colegas em férias e recebe para isso um adicional?

Que recebe diárias quando vai dar palestras em outros lugares, mesmo que tenha de desmarcar os compromissos profissionais agendados há meses?

Que tem porte de arma funcional sem necessidade de demonstrar qualquer habilidade no manuseio?

Que, se for condenado por um crime, recebe como punição a aposentadoria remunerada?

Que tem na sua cúpula o mais alto salário do funcionalismo público, a ponto de servir de referência para todos os demais servidores?

Que, além do excelente salário, recebe auxílio moradia quase cinco vezes superior ao salário mínimo?

E que, agora, luta por outras verbas salariais e indenizatórias, como se tudo o mais que ganha fosse pouco para uma excelente vida?

Não estamos falando dos cavaleiros da idade média, nem da monarquia inglesa ou dinamarquesa. Estamos simplesmente referindo alguns dos benefícios da magistratura brasileira (que atingem Ministério Público e outras categorias).

Um juiz que tem subsídio de R$ 25 mil mensais compromete o esforço tributário de aproximadamente dez pequenas empresas ou trinta trabalhadores. Isso apenas para este subsídio, sem contarmos todo o mais.

Se você tem alguma dúvida de que o Brasil é um país construído para sustentar as elites estatais, eu não tenho.

Não há nada no Brasil – NADA – que funcione melhor do que o cumprimento dos direitos destes servidores. A vida de qualquer outro brasileiro é muito diferente.

Se há uma categoria profissional que deveria ser a primeira a servir de referência são os magistrados. Mas infelizmente não servem… ganham o que quase ninguém ganha. E não estou aqui estabelecendo uma crítica pessoal a nenhum deles. São, na sua imensa maioria, ótimos profissionais. O que lhes falta é senso de realidade. O que lhes sobra de conhecimento teórico talvez esteja transbordando no ego e impedindo-os de sentir o que os outros brasileiros sentem.

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