Machismo

Por séculos a educação coube à mulher. Milênios. O machismo dominava e os homens não se envolviam no que parecia – apenas parecia – uma tarefa menor. Mulheres rainhas e plebeias ensinavam seus filhos a repetirem, por gerações e gerações, as mesmas condutas dos seus antecessores.

Então algumas corajosas, eventualmente, por decorrência da fatalidade dos seus pares provavelmente, assumiam postos de comando, seja em casa, seja na sociedade. Professoras, industriárias, enfermeiras, rainhas. Reconhecidas ou não pela comunidade, lá estavam exercendo seu mister com protagonismo.

Ainda assim apenas lentamente iam conquistando seu espaço rumo uma desejada igualdade. Que igualdade se buscava? Liderar, é tão importante assim? Decidir? Ascender profissionalmente? Não… com certeza não. Ser respeitada. Ser valorizada. Ser independente. Ser quem quiser ser.

Como tudo que envolve mudança houve (e há) muita resistência. Inclusive das próprias mulheres, pois o machismo não tem gênero. Aliás, “machismo” é um subjetivo que valoriza desproporcionalmente as características masculinas em detrimento das femininas. Mas quais são as características femininas? Sensibilidade, passividade, emotividade? É isso que prega o contra-machismo feminista? Seria o “feminismo” a vacina contra o “machismo”?

Por incrível que possa parecer, foi a independência sexual que permitiu à mulher efetivamente libertar-se. Não foi educar-se, trabalhar, enriquecer, comandar. Decidir quem seria seu parceiro (ou sua parceira) mudou o mundo. E tudo se intensificou graças à pílula anticoncepcional. Esse fato histórico nos mostra a relevância do sexo (ato sexual) no contexto histórico pessoal e social. As sociedades que menos mudam, menos liberdade sexual oferecem à mulher.

E a independência feminina não serviu apenas para trazer a mulher onde apenas antes o homem habitava. Serviu para levar o homem onde antes apenas a mulher havia. O homem passou a educar o filho, a cuidar da casa, a ser subordinado profissionalmente à chefa, a tolerar, a fragilizar, a receber.

Nesse contexto evolutivo, o feminismo virou um pós-feminismo. Antes, lutando pela igualdade e liberdade. Hoje buscando a dominação. Objetivos distintos, quase antagônicos, como são os ideologismos que saem do centro e caminham em direção ao extremo, seja à direita ou à esquerda.

O machismo está passando, lentamente. Homens e mulheres são cada vez menos machistas. Mas os erros do machismo estão sendo perpetuados e revestidos com novos protagonistas.

A solução ao império machista não é o império feminista. É o exercício efetivo das igualdades, das liberdades e do respeito de gênero. A mulher, como todo aquele que se submeteu, também precisa aprender ao seu novo encargo, sem ser uma machista revestida de pós-feminista.

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Ah, essas mulheres…

Essas que acordam cedo pensando na agenda, no almoço, na reunião da escola do filho, no mercado, nas unhas, na consulta dentária.

Essas que elaboram teses de pós-graduação depois de estender a roupa, que leem o livro infantil e o romance antes de dormir, que ouvem e tocam a música da Galinha Pintadinha.

As guerreiras que enfrentam a agressão, a desconfiança, o abuso. As maternais. As providenciais. As médicas, as domésticas, as policiais.

Todas essas que abriram seu espaço e o espaço das demais. Que superaram a si e se fizeram iguais. Que fizeram melhor o futuro sem deixar de olhar pra trás.

As, essas mulheres…

Elas merecem o mundo e muito mais.